O vazamento da reunião secreta que decidiu pela saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso do Banco Master, divulgado pelo portal Poder360, provocou a indignação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), informou o jornal O Globo na sexta-feira (13). Um magistrado chegou a classificar a revelação como "coisa de moleque", de acordo com a reportagem.
A reunião ocorreu na quinta-feira (12), após a entrega de um relatório pericial pela Polícia Federal com menções a Toffoli em mensagens do controlador do Banco Master, usado como base para um pedido de suspeição, que o gabinete do ministro considerou baseado em "ilações". O ministro, que ocupava a posição de relator no processo do caso Master, é sócio de empresa registrada em nome de seus irmãos, que integrou grupo empresarial que recebeu mais de R$ 450 mil do Judiciário em diárias de um resort entre 2022 e 2025. Após a reunião, Toffoli cedeu a posição de relator, que foi assumida pelo ministro André Mendonça.
O Poder360 obteve acesso a falas atribuídas aos ministros, indicando que sete deles eram favoráveis à permanência de Toffoli, enquanto dois faziam ressalvas. A fidelidade das citações levou a suspeitas, nos bastidores, de que a reunião teria sido gravada. Segundo os ministros, não havia mais pessoas presentes durante as conversas, além dos dez membros atuais da corte.
O vazamento agravou o ambiente de desunião no STF, com ministros criticando a quebra de confiança. Toffoli, alvo de maiores suspeitas de produzir a gravações, negou as acusações à jornalista Mônica Bergamo na Folha, sugerindo que um funcionário do setor de informática poderia ter sido responsável.
O conteúdo das gravações
Conforme os textos, a reunião teve um tom de autopreservação, com um placar inicial de 8 a 2 a favor de Toffoli, segundo o Poder360. A ampla maioria dos ministros teriam avaliações harmônicas em relação ao volume insuficiente de evidências contra Toffoli e à ausência de mérito para arguir a suspeição, embora reconhecessem uma crise institucional da confiança popular no STF.
Gilmar Mendes afirmou que a Polícia Federal estaria revidando decisões do ministro no caso Master. Alexandre de Moraes criticou a atuação da PF, acusando-a de ter desempenhado um "papel sujo" e alertando para riscos de nulidade. Nunes Marques considerou a situação absurda e defendeu que não havia fundamento jurídico para afastar Toffoli.
Por outro lado, os ministros Cármen Lúcia e Edson Fachin fizeram ressalvas. Cármen Lúcia mencionou que a população está contra o Supremo e defendeu a necessidade de pensar na institucionalidade, embora expressasse confiança em Toffoli. Edson Fachin, presidente da corte, preferia levar o caso ao plenário.
Diante do impasse, teria sido acertada uma solução proposta pelo ministro Flávio Dino, amigo pessoal de Toffoli há décadas. A ideia era emitir uma nota de apoio unânime aos ministros, em troca da redistribuição do processo. Toffoli, ao final, entendeu ter maioria, mas aceitou deixar a posição de relator.