
China alerta o Japão: derrota será 'mais rápida e devastadora' caso Tóquio retome 'velho caminho'

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, fez uma advertência ao Japão neste sábado (14) durante a Conferência de Segurança de Munique, em meio às tensões entre Pequim e Tóquio. Em discurso, o chanceler afirmou que, caso o país volte a seguir o que chamou de "velho caminho", enfrentará consequências severas.

"Se voltarem a percorrer esse velho caminho, será um beco sem saída", declarou. "Se voltarem a apostar, a derrota será mais rápida e mais devastadora", concluiu.
Durante sua intervenção, Wang Yi afirmou que, após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha realizou um ajuste de contas com os crimes nazistas e adotou normas para proibir a promoção dessa ideologia. Em contraste, o Japão continua homenageando "criminosos de guerra de primeira classe", apresentados como "espíritos heroicos".
O chanceler chinês também declarou que o "espírito do militarismo" ainda está presente no país. Ele lembrou que, no passado, o Japão alegou uma situação de ameaça para justificar ações militares, incluindo a guerra contra a China e o ataque à base norte-americana de Pearl Harbor.
"Todas as pessoas conscientes devem estar alertas e manter-se firmes. O povo japonês não deveria deixar que os extremistas de extrema direita o enganem e o arrastem, e todo país que valoriza a paz deveria dizer isso em voz alta ao Japão agora mesmo", afirmou.
Orçamento recorde e reação russa
Em dezembro de 2025, o governo japonês aprovou um orçamento de defesa recorde superior a 9 trilhões de ienes (R$ 302 bilhões) para 2026. Em comparação com 2025, o gasto militar de Tóquio representa um aumento de 9,4%.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, também comentou o tema. Segundo ele, a ambição de algumas forças políticas japonesas de remilitarizar a sociedade causa preocupação em Moscou.
"Tudo isso ocorre nas proximidades de nossas fronteiras e, considerando o caráter, em certa medida, caótico da evolução dos acontecimentos na arena internacional, isso não pode deixar de nos preocupar", declarou o chanceler russo.

