Durante a Conferência de Segurança de Munique, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, comentou a crise na Ucrânia e o papel de Pequim na busca por uma solução.
"Todos os conflitos regionais devem ser resolvidos por diálogo e consulta, e precisamos buscar uma solução política", afirmou o chanceler. "Isso vale para a crise da Ucrânia, mas a China não está diretamente envolvida. Não temos a última palavra", reforçou, destacando que o país busca promover negociações de paz.
Wang Yi também afirmou que a Europa "não deveria ficar apenas observando" e lembrou que, no ano passado, durante o diálogo entre EUA e Rússia, o Velho Continente parecia alheio às negociações. "Europa tem todo o direito de participar das negociações no momento certo. Por isso disse que não deveria estar no cardápio, mas à mesa. Agora vemos que encontrou coragem para dialogar com a Rússia, e isso é positivo", acrescentou.
Na véspera, o chanceler alemão, Friedrich Merz, criticou a China no mesmo evento, dizendo que o mundo entrou "em uma nova fase de conflitos abertos". "A China quer liderar a configuração do mundo e construiu bases para isso ao longo de muitos anos, com paciência estratégica", declarou, alertando que o país pode, no futuro previsível, se equiparar aos EUA em termos militares.
- Quase quatro anos após o início das hostilidades entre Rússia e Ucrânia, e sem sinais de avanços do governo de Kiev no campo de batalha, a Europa começa a entrar em uma fase de aproximação diplomática com a Rússia, mostrando que, finalmente, se interessa em retomar um diálogo direto com Moscou. No entanto, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, revelou que a nova rodada de conversas para tentar resolver o conflito ucraniano será em formato trilateral, sem a participação de representantes europeus.