Novos documentos contradizem chefe do FBI sobre envolvidos nos arquivos de Epstein

Kash Patel havia afirmado não ter "informações confiáveis" sobre tráfico sexual de mulheres ou meninas.

A divulgação de novos documentos do Departamento de Justiça dos EUA sobre o caso de Jeffrey Epstein coloca o diretor do FBI, Kash Patel, em situação delicada, já que os arquivos incluíam nomes de pessoas ligadas à rede de tráfico sexual, algo que o próprio funcionário havia negado.

As suspeitas aumentaram depois que, na última segunda-feira (9), membros do Congresso tiveram acesso aos arquivos sem censura e identificaram pelo menos seis nomes. "São seis homens", disse o republicano Thomas Massie, da Câmara dos Representantes, que liderou a revisão dos documentos junto ao colega democrata Ro Khanna. "Em poucas horas, encontramos seis nomes que haviam sido ocultados", acrescentou.

"Não se trata de caça às bruxas. Só porque alguém aparece nos arquivos não significa que seja culpado. Mas houve pessoas muito poderosas que abusaram dessas menores", afirmou Khanna. Massie, por sua vez, pediu para "dar ao Departamento de Justiça a chance de revisar e corrigir seus erros".

A declaração de Patel

As dúvidas sobre Patel surgem porque, em setembro do ano passado, ele declarou ao Comitê Judicial do Senado que as investigações não encontraram "informações confiáveis" que confirmassem o tráfico de mulheres ou meninas para outras pessoas, além do próprio Epstein. "As informações que temos, novamente, são limitadas", disse.

Ele destacou ainda que as acusações federais contra Epstein em 2019 focaram nos crimes de exploração sexual e tráfico cometidos diretamente pelo financista, e não na existência de uma suposta "lista de clientes" de alto perfil.

Entre as críticas aos documentos públicos está a justificativa do Departamento de Justiça, órgão do qual o FBI depende, para a omissão dos nomes, o que pode sugerir uma tentativa de proteger certos envolvidos.

Nesse contexto, legisladores citaram um e-mail em que alguém agradecia a Epstein por uma "noite divertida". "Sua menina mais nova foi um pouco travessa", dizia a mensagem, que, segundo Massie, foi enviada por uma mulher.

Nos e-mails do caso, há referências a vídeos de tortura, com os nomes dos remetentes censurados nos documentos, incluindo mensagens enviadas a Epstein por empresários influentes. Por isso, Massie questionou a forma como os arquivos foram redigidos, argumentando que a proteção da identidade das vítimas não deve se estender aos agressores.