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'Ilusão': Rubio aponta erros de EUA e Europa após a Guerra Fria

"Não temos interesse em ser gentis e organizados administradores do declínio controlado do Ocidente", afirmou o secretário de Estado dos EUA.
'Ilusão': Rubio aponta erros de EUA e Europa após a Guerra FriaMichael Probst / AP

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, proferiu neste sábado (14) um discurso durante a Conferência de Segurança de Munique (MSC 2026).

Rubio iniciou sua intervenção afirmando que, após a Guerra Fria, Europa e Estados Unidos cometeram "juntos" uma série de erros estratégicos, guiados por uma "ilusão" compartilhada.

Segundo ele, naquele cenário, "abraçamos uma visão dogmática do livre comércio sem restrições", enquanto as economias se desindustrializavam, milhões de empregos eram enviados para o exterior e setores-chave passavam a ficar sob controle de "adversários e rivais".

"Mas a euforia desse triunfo nos levou a uma ilusão perigosa: a de que havíamos entrado no fim da história. Que todas as nações seriam agora democracias liberais, que os laços formados pelo comércio e pelas trocas substituiriam a nacionalidade, que a ordem global baseada em regras substituiria o interesse nacional e que viveríamos em um mundo sem fronteiras, onde todos se tornariam cidadãos do mundo", afirmou Rubio. "Essa foi uma ideia tola. [...] E nos custou caro."

Nesse sentido, destacou que, embora as antigas organizações internacionais não precisem ser desmontadas, devem ser "reconstruídas e reformadas com urgência" para enfrentar os novos desafios.

Ele afirmou que a ONU tem "um enorme potencial", mas não conseguiu resolver conflitos no mundo, como o da Ucrânia ou a guerra em Gaza, e se mostrou "repetidamente impotente" diante de situações em que decisões mais firmes de Washington conseguiram mover a situação, segundo sua visão.

"Num mundo perfeito, todos esses problemas e muitos outros seriam resolvidos com diplomacia e resoluções firmemente redigidas. Mas não vivemos num mundo perfeito", advertiu Rubio. "Não podemos continuar permitindo que aqueles que ameaçam de forma aberta e flagrante nossos cidadãos e colocam em risco nossa estabilidade global se escondam atrás de abstrações do direito internacional que eles mesmos violam rotineiramente."

Cooperação com a Europa

Ele também reforçou que os EUA querem trabalhar e cooperar com a Europa, e acrescentou que, quando Washington critica seus aliados do Velho Continente, não é por buscar parceiros fracos, mas sim parceiros capazes de se defender, para que nenhum adversário se sinta tentado a testar sua força coletiva.

Nesse contexto, ressaltou que seu país quer aliados "orgulhosos de sua cultura e herança", conscientes de que são herdeiros "da mesma grande e nobre civilização" e dispostos a defendê-la junto com os EUA, em vez de justificar um 'status quo' saturado.

"Nos Estados Unidos não temos interesse em ser gentis e organizados administradores do declínio planejado do Ocidente", enfatizou.