Rubio à Europa: 'juntem-se a nós na campanha contra a migração em massa'

Segundo o secretário de Estado dos EUA, a perspectiva de que o futuro apagaria fronteiras e todos se tornariam "cidadãos do mundo" foi "uma ideia tola".

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, convidou os líderes europeus a se unirem a Washington no combate à migração em massa, segundo declarações reproduzidas em seu discurso na Conferência de Segurança de Munique (MSC 2026), neste sábado (14).

"Na busca por um mundo sem fronteiras, abrimos nossas portas a uma onda de migração sem precedentes, que ameaça a coesão de nossas sociedades, a continuidade de nossa cultura e o futuro de nossos povos", avaliou o secretário, reafirmando não apenas a política doméstica anti-imigração dos EUA, mas a reiterada reprovação do governo de Donald Trump às políticas europeias neste âmbito. 

"Cometemos esses erros juntos e agora, juntos, devemos enfrentar esses fatos e seguir em frente, reconstruir. […] Pedimos aqui à Europa que se una a nós. É um caminho que já percorremos juntos antes, e esperamos percorrê-lo juntos novamente", urgiu Rubio às lideranças presentes.

Segundo o secretário de Estado, a administração do presidente Donald Trump seguiu por esse caminho, que deveria ser tomado como modelo a seus aliados ocidentais.

"Não podemos continuar permitindo que aqueles que ameaçam abertamente nossos cidadãos e colocam em risco a estabilidade global se escondam atrás de abstrações do direito internacional, que eles próprios violam rotineiramente", afirmou Rubio.

Nesse contexto, o secretário de Estado afirmou que, sob o governo Trump, os Estados Unidos "assumirão mais uma vez a tarefa de renovação e restauração, guiados pela visão de um futuro tão orgulhoso, soberano e vital quanto o passado de nossa civilização".

"Embora estejamos preparados para fazê-lo sozinhos, se necessário, preferimos e esperamos fazê-lo junto com vocês, nossos amigos na Europa", reforçou.

Uma ilusão compartilhada

Rubio iniciou sua intervenção afirmando que, após a Guerra Fria, Europa e Estados Unidos cometeram "juntos" uma série de erros estratégicos, guiados por uma "ilusão" compartilhada.

Segundo ele, naquele cenário, "abraçamos uma visão dogmática do livre comércio sem restrições", enquanto as economias se desindustrializavam, milhões de empregos eram enviados para o exterior e setores-chave passavam a ficar sob controle de "adversários e rivais".

"Mas a euforia desse triunfo nos levou a uma ilusão perigosa: a de que havíamos entrado no fim da história. Que todas as nações seriam agora democracias liberais, que os laços formados pelo comércio e pelas trocas substituiriam a nacionalidade, que a ordem global baseada em regras substituiria o interesse nacional e que viveríamos em um mundo sem fronteiras, onde todos se tornariam cidadãos do mundo", afirmou Rubio. "Essa foi uma ideia tola. [...] E nos custou caro."

Ele também criticou a política energética do Ocidente nas últimas décadas.

"Para agradar a um culto ao aquecimento global, adotamos políticas energéticas que empobrecem nosso povo, enquanto nossos concorrentes exploram carvão, petróleo, gás natural e outros recursos, não apenas para impulsionar suas economias, mas também como instrumento de pressão contra a nossa", disse.