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Rubio discursa em Munique, um ano após discurso de Vance que abalou a Europa

O discurso do vice-presidente dos Estados Unidos na Conferência de Segurança de Munique em 2025 marcou uma mudança nas relações entre Washington e Bruxelas.
Rubio discursa em Munique, um ano após discurso de Vance que abalou a EuropaJohannes Simon / Stringer

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discursa neste sábado (14) na Conferência de Segurança de Munique (MSC 2026), na Alemanha, um ano após o discurso do vice-presidente americano, J.D. Vance, repleto de críticas abertas à Europa, colocando em questão a própria sobrevivência de sua civilização continental. 

"A ameaça que mais me preocupa em relação à Europa não é a Rússia, não é a China, não é nenhum outro ator externo. O que me preocupa é a ameaça interna, o retrocesso da Europa em alguns de seus valores mais fundamentais, valores compartilhados com os Estados Unidos", declarou o vice americano em 2025.

O discurso marcou o início de um ano de fricções, marcadas pela adoção de medidas mais agressivas de Washington frente a seus interesses geopolíticos na relação com a Europa, o que compeliu a União Europeia a repensar sua dependência do apoio americano.

Estratégia de Segurança Nacional (NSS) de 2025 solidificou as declarações apresentadas por Vance à época, denunciando o "apagamento civilizacional" europeu — particularmente direcionado às políticas europeias sobre discurso de ódio e imigração — e reforçando a necessidade de a Europa assumir maior responsabilidade por sua defesa.

Ao longo do ano, a reação europeia incluiu a imposição de tarifas, a controvérsia sobre a Groenlândia e a percepção de que os EUA poderiam se retirar de sua aliança. Enquanto criticavam a arbitrariedade unilateral das medidas de Washington, líderes europeus reforçaram a importância de aumentar seus gastos militares e buscaram a renovação de parcerias fora da órbita americana. O debate sobre o papel da UE em segurança, a criação de um exército europeu e a necessidade de uma postura mais independente foram impulsionados pelo clima criado por Vance.

Conferência de 2026

A 62ª edição da conferência, que acontece de 13 a 15 de fevereiro no hotel Bayerischer Hof, começou na sexta-feira (13) com a participação do chanceler alemão, Friedrich Merz. Ele não apenas criticou Rússia e China, mas também enviou uma mensagem a Estados Unidos, uma mistura de alerta e apelo, afirmando que "os estrategistas do Pentágono sabem muito bem" que a OTAN é uma "vantagem competitiva" tanto para a Europa quanto para os EUA.

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Em sua mensagem, Merz evocou o discurso de Vance no ano anterior, utilizando-o como ponto de partida para discutir a necessidade de uma política de segurança europeia autossustentável. O chanceler alemão enfatiza que mesmo o "Estados Unidos não são poderosos o suficiente para irem sozinhos", reforçando a importância da preservação de uma relação cooperativa para defesa no eixo transatlântico. 

O enquadro das ideias de Vance permanece de tal maneira, portanto, levantando a questão do ambiente em que Rubio discursará após um ano de reconfiguração de alianças, sob apelos de comedimento e medidas práticas de adaptação do continente europeu para um futuro mais distante dos EUA.