A administração do presidente Donald Trump gastou mais de 40 milhões de dólares (R$ 208 milhões) em 2025 para deportar centenas de migrantes a pelo menos vinte países que não são suas nações de origem, segundo relatório divulgado por democratas do Senado, informou nesta sexta-feira (13) o jornal the Washington Post. O documento classifica a prática como uma estratégia onerosa dentro da campanha de deportações em massa.
A análise, elaborada por integrantes da minoria no Comitê de Relações Exteriores do Senado, afirma que o governo firmou acordos financeiros com governos estrangeiros, incluindo países com histórico de corrupção e violações de direitos humanos, para ampliar o programa de "remoções para terceiros países", antes restrito a circunstâncias excepcionais.
De acordo com o relatório, 32 milhões de dólares (R$ 167 milhões) foram pagos diretamente a cinco países: El Salvador, Guiné Equatorial, Ruanda, Eswatini e Palau. Outros 7 milhões de dólares (R$ 36 milhões) foram destinados a custos de voos de deportação para dez desses países.
Segundo o documento, cerca de 250 venezuelanos foram enviados a uma prisão de segurança máxima em El Salvador. Outros 29 migrantes foram deportados para a Guiné Equatorial, 15 para Eswatini e sete para Ruanda. Nenhum foi enviado a Palau.
A senadora Jeanne Shaheen, principal democrata no comitê, afirmou em carta a colegas que a administração "expandiu e institucionalizou um sistema no qual os Estados Unidos incentivam ou pressionam países a aceitar migrantes que não são seus cidadãos, muitas vezes por meio de acordos caros, ineficientes e pouco monitorados". Shaheen acrescentou que "milhões de dólares dos contribuintes estão sendo gastos sem supervisão ou responsabilização significativas".
O relatório também sustenta que o Departamento de Estado não realizou fiscalização suficiente para garantir que os recursos não fossem mal utilizados nem que os migrantes não sofressem abusos.
Defesa do governo
Em resposta, o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, afirmou que o relatório demonstra o trabalho "sem precedentes" da administração no primeiro ano para aplicar as leis de imigração.
"Não se enganem, o presidente Trump encerrou a era de imigração ilegal em massa do governo Biden, e estamos todos mais seguros por isso", declarou.
Autoridades do governo afirmam que recorrem a países dispostos a receber imigrantes indocumentados quando as nações de origem se recusam a aceitá-los.
Segundo o governo, na maioria dos casos os migrantes possuem antecedentes criminais, embora registros públicos indiquem que alguns não foram condenados nos Estados Unidos.