O Ministério das Relações Exteriores da Rússia publicou nesta sexta-feira (13) uma nota em memória dos 81 anos da expulsão das tropas nazistas de Budapeste, em 13 de fevereiro de 1945, durante a ofensiva do Exército Vermelho na Hungria. Segundo o comunicado, a operação abriu caminho para o avanço soviético em direção à Áustria e à Tchecoslováquia.
De acordo com a chancelaria russa, a libertação dos países da Europa Oriental da "praga nazista", incluindo a Hungria, teve "alto custo para o povo soviético". O texto afirma que mais de 80 mil soldados e oficiais soviéticos morreram nos combates para retomar a capital húngara, marcados por confrontos intensos e prolongados.
A nota destaca que o comando militar soviético atribuiu "importância especial" ao planejamento das operações ofensivas na Hungria, onde enfrentou unidades treinadas da Wehrmacht e tropas de elite da SS. As forças alemãs estavam entrincheiradas atrás de linhas defensivas em múltiplos níveis, consideradas o principal bastião do Reich ao longo da frente soviético-alemã.
Em trecho das memórias "De Budapest a Praga", o tenente-general Matvey Zakharov, então chefe do Estado-Maior da 2ª Frente Ucraniana, afirmou que "os fascistas não pouparam esforços ou recursos para se manter na Hungria". Segundo ele, foram construídas diversas linhas de defesa em curto período, incluindo uma das mais poderosas ao longo da margem direita do Danúbio, com três posições em formato de "U" ao norte e ao sul de Budapeste.
O ministério relembra que, em dezembro de 1944, durante a ofensiva de Debrecen, unidades da 2ª Frente Ucraniana, lideradas pelo marechal Rodion Malinovsky, libertaram cerca de um terço do território húngaro e infligiram "grandes danos" ao grupo de exércitos alemão "Sul", iniciando o avanço sobre a capital.
Avanço sobre a Europa Central
Segundo o comunicado, as tropas alemãs transformaram Budapeste em um dos maiores redutos defensivos ao longo do Danúbio. A liderança nazista considerava a Hungria uma fonte estratégica de matérias-primas e um aliado importante do Eixo, o que levou ao envio de unidades blindadas de elite da SS para conter o avanço soviético.
Em dezembro de 1944, forças das 2ª e 3ª Frentes Ucranianas cercaram tropas alemãs na cidade. Em janeiro de 1945, as operações se concentraram na eliminação dos contingentes nazistas dentro e nos arredores de Budapeste. A nota afirma que, durante os combates, soldados soviéticos libertaram milhares de pessoas mantidas no gueto da capital húngara.
Ainda conforme o texto, a ofensiva resultou na derrota completa de um agrupamento inimigo de quase 200 mil homens, cuja missão era proteger as principais forças alemãs posicionadas na Áustria e na Tchecoslováquia. Após a derrota na Hungria, os alemães passaram a perder rapidamente território também na Iugoslávia.