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'Envolve facção', diz ex-goleiro Bruno sobre assassinato de Eliza Samúdio

Condenado a mais de 22 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver, o ex-titular do Flamengo reconheceu responsabilidade no assassinato que comoveu o Brasil em 2010.
'Envolve facção', diz ex-goleiro Bruno sobre assassinato de Eliza SamúdioGettyimages.ru / Buda Mendes / Stringer

O ex‑goleiro Bruno Fernandes de Souza, notório por sua carreira no Flamengo, voltou a falar sobre o assassinato de Eliza Samudio na quinta-feira (12), em entrevista ao Geral Podcast. Ele apontou detalhes reveladores do crime e insinuações de maior complexidade.

Bruno reconheceu sua responsabilidade no crime — por omissão, negando ser o mandante do assassinato. Ele também afirmou que organizações criminosas estão envolvidas na morte de Eliza. "Eu tive que segurar um problema muito grande, porque a situação envolve facção. A situação envolve pessoas além do que vocês imaginam", concluiu.

"Olha, chegou um ponto que eu não tinha mais diálogo com a com a Eliza. Quem tomava conta das minhas coisas era o 'Macarrão'", declarou o ex-goleiro, referindo-se a Luiz Henrique Ferreira Romão, condenado a 15 anos de prisão em 2012 pelo homicídio. Ele confessou participação no crime, admitindo ter entregue a vítima a um assassino, para "resolver o problema" de Bruno.

Questionado pelo apresentador se a delegação de suas questões a Macarrão teria sido o "estopim" de uma situação já desgastada com Eliza, ele reafirmou não ter ordenado sua morte. "A juíza me perguntou: (...) 'Ah, você mandou fazer isso?'. Eu falo, 'não'; 'Mas você sabia?' [retruca a juíza]. Eu sabia, mas eu não mandei", confessou.

"Eu quis dizer o quê para as pessoas? Eu fui omisso na situação. (...) Isso faz de mim uma pessoa inocente? Não. Em momento algum, em todo júri que eu estava, eu nunca falei pras pessoas que eu sou inocente, mas eu também não sou o 'demônio' da parada", apontou Bruno.

Morte de Eliza Samudio

Eliza Silva Samudio, atriz e modelo paranaense, teria trabalhado como garota de programa para se sustentar enquanto perseguia o sonho de carreira na moda, ao deixar sua cidade natal em Foz do Iguaçu para buscar oportunidades em São Paulo.

Reporta-se que Eliza conheceu o goleiro Bruno, então titular do Clube de Regatas do Flamengo, e os dois teriam iniciado relações amorosas. Eliza teria engravidado e registrado ocorrências de agressões domésticas contra Bruno durante a gestação, mas as autoridades não concederam medida protetiva, alegando ausência de união estável.

Em 4 de junho de 2010, aos 25 anos, Eliza desapareceu após supostamente viajar para o sítio de Bruno em Minas Gerais. As investigações revelaram que sua morte envolveu estrangulamento e esquartejamento, e que seus restos nunca foram localizados.

A condenação de Bruno a mais de 22 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver, ainda que ele esteja em liberdade condicional desde 2023, transformou o episódio em um marco representativo de feminicídio no país.