O CEO de uma gigante multinacional de logística sediada em Dubai renunciou nesta sexta-feira (13), em uma nova repercussão a nível global provocada pela divulgação de documentos, pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), do caso Epstein.
Os documentos incluem trocas de e‑mails e mensagens de texto entre Epstein e Sultan Ahmed bin Sulayem, presidente e diretor executivo da empresa Dubai Port World (DPW). O executivo, que dirigiu a DPW por mais de quatro décadas, ocupou o cargo durante a transformação da companhia em uma potência global de logística, manejando cerca de um décimo do tráfego global de contêineres.
Epstein e bin Sulayem mantiveram contato por anos, mesmo após a condenação do financista americano, em 2008, por aliciamento de menores. As mensagens incluem discussões comerciais e, em muitos casos, comentários inapropriados sobre mulheres.
"Tudo o que sei com certeza é que você é um dos meus amigos mais confiáveis, em todos os sentidos da palavra. Você nunca me decepcionou, nem uma vez sequer. E eu aprecio muito o tempo que passamos juntos", escreveu Epstein a bin Sulayem em uma correspondência datada de junho de 2013.
"Obrigado, meu amigo. Acabei de receber uma espécime de mulher russa 100% pura no meu iate", respondeu bin Sulayem.
Uma troca de mensagens de abril de 2009 registra a preocupação do empresário emiradense com seu "amigo" e faz uma sugestão preocupante em seu próprio mérito. "Onde você está? Você está bem? Eu adorei o vídeo de tortura", escreveu bin Sulayem, sem referência clara a qual vídeo se referia.
Identidade omitida
Embora bin Sulayem tenha sido inicialmente ocultado nos documentos, ele foi identificado em uma audiência no Congresso dos EUA, após o congressista Ro Khanna identificar seu nome sob alegação de que o governo americano havia censurado nomes "sem razão aparente".
"Demandamos ao Departamento de Justiça que parasse de proteger esse homem e de minimizar seu nome", declarou Khanna nesta sexta-feira (13) em suas redes sociais, afirmando que "não [descansará] até que haja responsabilização da elite ligada a Epstein."
Como resposta ao escândalo, tanto a agência britânica de investimento, British International Investment, quanto o fundo de pensão canadense La Caisse decidiram suspender novas iniciativas com a DPW. A empresa, em resposta, nomeou Essa Kazim como novo presidente do conselho e Yuvraj Narayan como diretor executivo do grupo.
A renúncia de bin Sulayem se insere em um contexto mais amplo de afastamentos de figuras influentes vinculadas aos arquivos de Epstein, incluindo líderes de empresas como Goldman Sachs e membros do governo britânico.