A guerra civil no Sudão, que assola o país desde abril de 2023, é uma "batalha contra interferência externa", denunciou o ministro das Relações Exteriores do país, Mohieldin Salem, em comentários ao jornal catari Al Jazeera, publicados nesta sexta-feira (13).
O chanceler do Sudão afirmou que países estrangeiros estão fornecendo armas e mercenários às Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar em conflito com as autoridades do governo internacionalmente reconhecido.
"Portanto, no Sudão, estamos protegendo a retaguarda da África ao confrontar essa conspiração. O que está acontecendo no Sudão não visa apenas o nosso país, mas todo o continente", afirmou Salem.
As declarações foram reproduzidas no contexto de uma reunião do Conselho de Paz e Segurança da União Africana (UA), onde o chanceler sudanês reiterou seu protesto e urgiu pela reintegração do país no grupo, cuja participação está suspensa desde 2021. O comunicado da UA após a reunião não definiu a reintegração, mas formalizou a condenação à interferência externa no conflito e determinou a abertura de seu gabinete no país.
Crise humanitária e disputa geopolítica
Analistas apontam que o conflito atual no Sudão é influenciado pela rivalidade entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos (EAU), que vêm disputando influência em vários campos. Enquanto a Arábia Saudita tem apoiado as Forças Armadas Sudanesas (SAF), os EAU são acusados de financiar a RSF, fornecendo recursos, armas e treinamento.
As autoridades dos EAU rejeitam as acusações, como declarado por uma fonte oficial ao jornal emiradense The National, acerca de alegações de financiamento a um campo de treinamento para as RSF na Etiópia.
As análises apontam para um cenário de maior complexidade do conflito, diante do respaldo a cada grupo combatente de potências regionais que buscam ampliar suas redes de influência no continente africano, em uma extensão da competição geopolítica do Golfo.
Estimativas apontam mais de 12 milhões de pessoas deslocadas pela guerra e um cenário de fome generalizada que afeta cerca de 21 milhões de pessoas. As forças do governo (FAS) e da RSF já dividiram o país em zonas de controle, criando um cenário estável, porém sangrento em áreas como El Fasher, cuja conquista militar pelas forças das RSF foi denunciada por crimes de guerra pelo Alto Comissariado das Nações Unidas, nesta sexta-feira (13).