
Criptografia do celular de Vorcaro foi quebrada com espionagem israelense-emiradense - imprensa

A Polícia Federal contratou a Black Wall Global, empresa emirado-israelense de espionagem, para quebrar a criptografia que protegia os dados do aparelho celular do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (13) pela revista Fórum, que afirma ter tido acesso a um relatório da corporação.
Segundo a publicação, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez uma breve intervenção ao tomar conhecimento da contratação e declarado que "conhece" a empresa. "Isso aí é o pessoal do Mossad", afirmou o magistrado, de acordo com a revista.

De acordo com as informações divulgadas, a tecnologia empregada permitiu inclusive a recuperação de dados apagados por Vorcaro. Entre eles, mensagens citando o ministro Dias Toffoli, afastado da relatoria das investigações do caso, além de registros relacionados à venda do resort Tayayá, pertencente à Maridt — empresa da família do magistrado — para o Arleen Fundo de Investimentos, da Reag, administrado pelo pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
O que é a Black Wall Global?
A Black Wall Global é uma empresa de inteligência digital e cibersegurança criada após a normalização diplomática entre Israel e os Emirados Árabes Unidos, em 2020. Com atuação voltada para defesa cibernética, proteção de infraestruturas críticas e consultoria estratégica em segurança, a companhia reúne profissionais com histórico em unidades de elite de inteligência israelense.
A página oficial da diretoria da empresa apresenta integrantes de um conselho internacional e executivos descritos como veteranos de unidades israelenses de inteligência e cibersegurança, além de conselheiros com trajetória nas áreas de segurança e políticas públicas, o que ajuda a explicar a declaração de Moraes ao associar a empresa à Mossad, principal agência de espionagem externa de Israel.

