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Ex-premiê de Israel lamenta relação com Jeffrey Epstein após divulgação de novos arquivos

Ehud Barak afirma que se arrepende de ter mantido contato com o financista, mesmo após condenação em 2008.
Ex-premiê de Israel lamenta relação com Jeffrey Epstein após divulgação de novos arquivosGettyimages.ru / Amir Levy

O ex-primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, afirmou que se arrepende de ter mantido uma relação com o financista Jeffrey Epstein, condenado por aliciamento de menor para prostituição em 2008. A declaração foi feita em entrevista ao Channel 12, após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgar milhões de documentos relacionados ao caso, informou o Jerusalem Post nesta sexta-feira (13).

Barak, que governou Israel entre 1999 e 2001, disse que lamenta o momento em que conheceu Epstein, apresentado a ele em 2003 pelo então presidente israelense Shimon Peres, durante um evento em Washington.

"Eu sou responsável por todas as minhas ações e decisões. Há espaço para questionar se eu deveria ter investigado mais profundamente. Eu me arrependo de não ter feito isso", declarou.

Contatos após condenação

Apesar da condenação de Epstein em 2008, Barak confirmou que manteve contato com ele. O ex-premiê admitiu ter se hospedado, junto com a esposa, na casa do financista em Manhattan diversas vezes entre 2015 e 2019, além de trocar e-mails e encontrá-lo pessoalmente.

Barak também reconheceu ter visitado a ilha Little Saint James, nas Ilhas Virgens Americanas, propriedade de Epstein. Segundo ele, foi uma única visita, "por três horas, em plena luz do dia", acompanhado da esposa e de três seguranças. "Não vi nada lá além dele e alguns trabalhadores", afirmou.

Ele alegou que, após cumprir pena, Epstein era amplamente tratado como alguém que havia "pago sua dívida à sociedade" e readquirido espaço na vida pública. Barak declarou que só tomou conhecimento da dimensão dos crimes em 2019, quando as investigações foram reabertas.

"Eu não sabia a natureza dos crimes dele até 2019, e provavelmente você também não sabia", disse, segundo a imprensa israelense.

Epstein morreu em 2019, na prisão, enquanto respondia a acusações de tráfico sexual de menores.

O que dizem os documentos?

Os documentos divulgados pelas autoridades norte-americanas detalham interações de Epstein com membros da elite global, incluindo Barak. Os arquivos também registram financiamento a organizações israelenses, como o "Friends of the IDF", (ou Amigos das Forças de Defesa de Israel, em tradução livre) e o Fundo Nacional Judaico, além de contatos com integrantes do Mossad, o serviço de inteligência israelense.

Durante a entrevista, Barak foi questionado sobre comentários feitos em uma gravação recentemente desclassificada, na qual discutia com Epstein a possibilidade de Israel compensar o crescimento populacional palestino. O ex-premiê rejeitou acusações de racismo e disse que a conversa tratava de "desafios demográficos" enfrentados por Israel.