Secretário de Energia dos EUA projeta crescimento da produção de petróleo venezuelano

As autoridades da Venezuela estabeleceram como objetivo aproveitar as vastas reservas petrolíferas do país para, a médio prazo, voltarem a ser um dos maiores produtores mundiais.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Christopher Wright, afirmou na quinta-feira (12) que a produção petrolífera da Venezuela, afetada por medidas coercitivas unilaterais por parte de Washington há quase uma década, irá apresentar um "crescimento significativo" este ano depois que houver "uma mudança nas regras do jogo" que a Casa Branca impôs até agora.

"Acredito que durante o primeiro ano veremos um crescimento significativo, de 30% a 40%, na produção petrolífera venezuelana. Este ano, a produção pode continuar crescendo a um ritmo muito bom", avaliou o secretário norte-americano no contexto de uma visita que fez, acompanhado pela presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, às instalações da PetroIndependencia, uma empresa de capital misto de propriedade da estatal Petróleos de Venezuela e da multinacional Chevron, que opera na Faixa Petrolífera do Orinoco.

Wright enfatizou que, embora a nação bolivariana "possua as maiores reservas comprovadas de petróleo" do mundo, que superam em muito as dos EUA, a produção do hidrocarboneto na Venezuela é 20 vezes menor do que a registrada em seu país. Na opinião do secretário, isso revela uma situação de subexploração que afeta não apenas esse recurso estratégico, mas a população venezuelana como um todo.

"Então, são recursos subexplorados? Claro. O povo venezuelano é um recurso subexplorado. Aqui há pessoas com muita formação técnica e muita paixão pelo seu país, que têm vivido em extrema pobreza", afirmou, embora sem reconhecer, como fez na véspera, os efeitos negativos que a imposição das sanções sobre o petróleo trouxe para a economia da Venezuela e para a vida dos seus cidadãos.

Em vez disso, ele afirmou que uma mudança nas "regras do jogo" permitirá que todas as partes se beneficiem: "Temos que mudar as regras do jogo na Venezuela para que os venezuelanos, os EUA e nosso hemisfério saiam ganhando", afirmou.

A caminho do clube dos grandes produtores

Um dos objetivos propostos pela recente reforma da Lei Orgânica de Hidrocarbonetos visa transformar o país latino-americano em um grande produtor de petróleo por meio da exploração de campos virgens e da reabilitação de poços paralisados. Isso requer grandes somas de dinheiro que, segundo Caracas, podem ser fornecidas por investidores estrangeiros.

"É o momento para que a produção de petróleo na Venezuela dispare exponencialmente. E a única maneira de fazer isso é através da força de atração, para que o investimento estrangeiro chegue e, imediatamente, sem qualquer tipo de preocupação, possam entrar os recursos necessários para a exploração desses campos verdes ou desses campos que têm se esgotado com o tempo", argumentou em janeiro passado o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, em uma das consultas públicas a que o instrumento foi submetido antes de receber a aprovação do Parlamento.

De acordo com seus cálculos, são necessários "mais ou menos US$ 50 bilhões [~R$ 260 bilhões] [...] para poder elevar a produção a cinco ou um pouco mais de milhões de barris" por dia. Isso permitiria o retorno tanto de empresas americanas – às quais o presidente Donald Trump insiste para que voltem a invistir no país – como para outras multinacionais que já se associaram ao Estado venezuelano no passado.

A presidente encarregada afirmou que é uma alegria "receber investidores de outras partes do mundo e também dos EUA para que trabalhem conosco e levem a indústria petrolífera aos mais altos padrões. Como já dissemos [a Wright], queremos deixar de ser o país com as maiores reservas de petróleo do planeta para nos tornarmos um gigante produtor de petróleo no mundo e sermos conhecidos por isso".