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Europa não participará de nova rodada de negociações sobre Ucrânia, diz Kremlin

O Kremlin informou que o encontro entre as delegações dos EUA, da Rússia e da Ucrânia ocorrerá na próxima semana, em Genebra.
Europa não participará de nova rodada de negociações sobre Ucrânia, diz KremlinAP / Virginia Mayo /

A nova rodada de negociações para a resolução do conflito ucraniano será realizada sem a participação de representantes europeus, confirmou o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, nesta sexta-feira (13).

"Esse é um formato exclusivamente trilateral", reforçou, indicando que será reproduzida a estrutura das duas rodadas anteriores, realizadas este ano com Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, com representantes dos EUA, da Rússia e da Ucrânia. A delegação russa será chefiada pelo assessor presidencial russo Vladimir Medinsky. 

"O local foi escolhido após a coordenação das agendas das três partes, por ser considerado o mais conveniente e apropriado para todos", comentou o porta-voz, anunciando que a reunião ocorrerá de 17 a 18 de fevereiro em Genebra, na Suíça.

Causas profundas do conflito

O presidente russo tem afirmado reiteradamente que é necessário garantir a segurança da Rússia no longo prazo. Segundo Moscou, essa questão é um das causas estruturais do conflito, como a expansão da OTAN, vista como uma ameaça, e à situação da população russófona na Ucrânia, cuja proteção o Kremlin diz considerar prioritária.

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A proposta russa prevê a retirada completa das tropas ucranianas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e das províncias de Zaporozhie e Kherson, que se uniram à Rússia após referendos populares em 2022, além do reconhecimento desses territórios, assim como da Crimeia e de Sevastopol, como parte integrante da Federação da Rússia.

O plano inclui ainda a neutralidade da Ucrânia, o não alinhamento e a desnuclearização, desmilitarização e desnazificação do país.

Para Moscou, além de uma solução política, é necessário firmar acordos formalizados em documentos com reconhecimento internacional.

Nesse ponto, a Rússia questiona a legitimidade das autoridades do regime de Kiev. O mandato de Vladimir Zelensky expirou em maio de 2024, e, de acordo com essa avaliação, os integrantes do Executivo nomeados por ele também carecem de legitimidade.