Ataques à China e Rússia, 'farpas' e 'súplica' aos EUA: Chanceler da Alemanha abre Conferência de Munique

O chanceler alemão chamou a atenção para as "crescentes tensões e conflitos no mundo" nos últimos anos em uma era "marcada pela política das grandes potências".

O chanceler alemão Friedrich Merz abriu a Conferência de Segurança de Munique nesta sexta-feira (13) fazendo ataques contra China e Rússia, além de lançar uma crítica aos Estados Unidos.

Segundo Merz, desde o início do conflito ucraniano em 2022, o mundo "entrou em uma nova fase de conflitos abertos".

"Juntos, entramos em uma era que, mais uma vez, é abertamente caracterizada pelo poder e pela política das grandes potências", afirmou.

Moscou insiste em sua disposição para o diálogo a fim de resolver a crise ucraniana, enfatizando que a posição russa é muito clara e bem compreendida tanto pelo regime de Kiev quanto pelos negociadores.

"A China quer ser líder da ordem mundial"

Merz alertou para uma mudança no equilíbrio global de poder, apontando para o papel crescente de Pequim: "A China quer ser líder da ordem mundial e tem preparado o terreno para isso há muitos anos com paciência estratégica", disse, acrescentando que "em um futuro próximo" poderá estar "em pé de igualdade com os Estados Unidos em termos militares".

Segundo Merz, a China "explora sistematicamente as dependências dos outros e redefine a ordem internacional em seu próprio benefício". O chanceler alemão afirmou ainda que, se houve um momento unipolar após a queda do Muro de Berlim, "isso já passou há muito tempo".

"Os Estados Unidos viram sua liderança ser desafiada e podem tê-la perdido", acrescentou Merz.

O chanceler alemão declarou ainda que "os recursos naturais, as tecnologias e as cadeias de produção estão se tornando moeda de troca no jogo de soma zero das grandes potências", um "jogo perigoso", ressaltou. 

"Nossos amigos nos Estados Unidos estão se adaptando a isso em ritmo acelerado", observou Merz: "Eles perceberam a necessidade de alcançar a China em algumas áreas e estão tirando conclusões radicais disso para sua estratégia de segurança nacional", embora de uma forma que, na opinião de Merz, não freia essa tendência, "mas sim a acelera".

"Reconstruindo a confiança transatlântica"

O chanceler alemão criticou ainda as políticas de Washington, enfatizando que a Europa "não acredita em tarifas ou protecionismo, mas sim no livre comércio". O chanceler dirigiu uma mensagem aos Estados Unidos, uma mistura de advertência e apelo, declarando que "os estrategistas do Pentágono estão bem cientes" de que a OTAN é uma "vantagem competitiva" tanto para a Europa quanto para os Estados Unidos.

"Durante três gerações, a confiança entre aliados, parceiros e amigos fez da OTAN a aliança mais forte de todos os tempos. A Europa sabe muito bem o quão valiosa ela é na era das grandes potências e da rivalidade", declarou, insistindo que "nem mesmo os Estados Unidos terão poder suficiente para agir sozinhos" e, portanto, apelou a Washington para que repare e reconstrua a "confiança transatlântica".