
Reservatórios de São Paulo atravessam crise hídrica histórica
O estado de São Paulo, o mais populoso do Brasil, atravessa uma das piores crises hídricas da sua história. O fenômeno está diretamente ligado ao desequilíbrio climático global, que altera padrões de precipitação, gerando extremos — ora com chuvas intensas e concentradas, ora com longos períodos de estiagem.
Enquanto parte do país registra volumes expressivos de chuva no verão de 2026, os principais reservatórios paulistas, como o Sistema Cantareira, operam com níveis críticos. José Bonilha, geógrafo e morador de Joanópolis, região estratégica para o abastecimento, afirmou à RT: "Todo o ano passado [registrou] um nível de chuva muito baixo. Isso gerou o esvaziamento do reservatório. (...) Hoje, ele está operando com apenas 20% de sua capacidade total".

Menos сhuva, mais demanda
De acordo com o Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Semadem), a crise é agravada pela combinação entre precipitações abaixo da média histórica e o crescimento contínuo da demanda por água — reflexo do aumento populacional, da expansão urbana e do uso intensivo na agricultura e indústria.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em resposta, adotou medidas como o racionamento noturno em várias regiões. O governo estadual, por sua vez, lançou campanhas de conscientização para reduzir o consumo doméstico.
Contudo, críticos apontam a falta de incentivos tarifários: nem o governador nem a gestora cogitam reduzir o valor das contas, o que, para muitos, limita a efetividade dos apelos ao uso racionado.
