Presidente de Israel rebate provocações de Trump por indulto a Netanyahu: 'o presidente sou eu'

O presidente dos EUA declarou na quinta-feira (12) que Isaac Herzog deveria ter "vergonha" por não ter concedido o perdão presidencial ao primeiro-ministro de Israel.

O presidente de Israel, Isaac Herzogrespondeu na quinta-feira (12) à provocação do presidente dos EUA, Donald Trump, que declarou que Herzog deveria "ter vergonha" caso não conceda o perdão presidencial ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, frente a acusações de corrupção na justiça do país. As informações foram publicadas pela agência israelense The Jerusalem Post.

"Pelo que me lembro, eu sou o presidente de Israel", salientou.

Em sua recente visita à Austrália, Herzog afirmou em diversas ocasiões que o pedido de indulto está sendo analisado de acordo com o procedimento convencional.

"É uma vergonha"

O pedido de perdão oficializado por Netanyahu se refere a processos criminais em que é acusado de fraude e quebra de confiança, em investigações de concessão de favores a empresários em troca de presentes e cobertura favorável da mídia.

Netanyahu oficializou o pedido de indulto a Herzog no final de novembro do ano passado, alegando demandas desproporcionais na frequência de depoimentos, para além de descredibilizar as acusações como conspiração de opositores e como causa de divisão na sociedade israelense. Semanas antes, Trump já havia enviado uma carta ao presidente israelense com pedido similar, alegando que Netanyahu sofre uma perseguição política.

O presidente americano, durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca na quinta-feira (12), afrontando a suposta omissão de Herzog na apreciação do pedido. "Acho que o povo de Israel deveria envergonhá-lo. Ele é deplorável por não ter concedido. Ele deveria concedê-lo", declarou Trump em um evento na Casa Branca, aludindo ao indulto solicitado por Netanyahu.

Citada pela reportagem, uma nota da presidência de Israel enfatizou que o pedido de indulto do premiê está atualmente sob análise do Ministério da Justiça. "Somente após a conclusão do processo, o presidente analisará o pedido de acordo com a lei, o bem do Estado e sua consciência, e sem qualquer influência de pressões externas ou internas de qualquer tipo", destacou.

A presidência observou que Herzog "agradece ao Presidente Trump pela sua importante contribuição para o Estado de Israel e para a sua segurança", mas, ao mesmo tempo, enfatiza que o país é "um Estado soberano governado pelo Estado de Direito" e que ainda não foi tomada nenhuma decisão relativamente ao indulto.