Embaixador russo em Cuba à RT: "O povo e o exército estão bem preparados"

Segundo Viktor Koronelli, o governo cubano "não descarta a possibilidade de uma agressão militar aberta", similarmente ao que ocorreu na Venezuela no início de janeiro.

O embaixador russo em Cuba, Viktor Koronelli, concedeu uma entrevista exclusiva à RT, na qual abordou uma ampla gama de tópicos relacionados aos laços de seu país com a nação caribenha, bem como as ameaças dos EUA contra a ilha.

Koronelli compartilhou sua visão sobre os objetivos de Washington em sua política agressiva contra a ilha. "Acredito que o único interesse [dos EUA] é sufocar a revolução cubana e mudar o governo", afirmou, enfatizando que tanto o presidente do país, Donald Trump, quanto o secretário de Estado, Marco Rubio, já expressaram suas intenções abertamente em diversas ocasiões.

A possibilidade de um cenário de agressão militar dos EUA semelhante ao que ocorreu na Venezuela no início de janeiro não passa ao largo das preocupações do embaixador. "Qualquer coisa pode passar pela cabeça [dos EUA], mas, como todos sabemos, o governo cubano não descarta a possibilidade de uma agressão militar aberta [dos EUA]", observou.

"E aqui, o povo, o exército e o governo estão se preparando para isso, estão bem preparados", enfatizou Koronelli.

Ameaças de Trump 

No dia 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva declarando "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que Cuba representaria para a segurança do país norte-americano e da região. O texto acusa o governo cubano de alinhar-se com "numerosos países hostis", de acolher "grupos terroristas transnacionais", citando Hamas e Hezbollah, e de permitir o desdobramento na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.

Posteriormente, o mandatário informou que seu governo mantém contatos com Havana e indicou que chegarão a um acordo, embora tenha classificado o país caribenho como "uma nação em decadência", que "já não conta com a Venezuela" para se sustentar.

As declarações ocorrem em meio ao bloqueio econômico e comercial que os EUA mantêm contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi ainda reforçado com numerosas medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.

"Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dita o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos Estados Unidos há 66 anos, e não ameaça, prepara-se, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue", declarou o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.

O mandatário afirmou também: "Essa nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano com fins puramente pessoais".

Além disso, todas as acusações infundadas de Washington foram rejeitadas sistematicamente por Havana, que advertiu que defenderá sua integridade territorial.

Enquanto isso, Moscou expressou sua "firme disposição de continuar prestando a Cuba o apoio político e material necessário".