Vítimas de Epstein acusam Departamento de Justiça dos EUA de tentar silenciá-las

Sobreviventes da rede de pedofilia e tráfico sexual afirmam que autoridades estão tentando intimidá-las com a divulgação de suas identidades.

Vítimas sobreviventes da rede de exploração sexual do pedófilo Jeffrey Epstein declararam, em entrevista à NBC News na quinta-feira (12), que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), liderado pela promotora Pam Bondi, está tentando silenciá-las e assustá-las.

A estratégia, segundo elas, seria ameaçar com a divulgação pública de seus nomes nos arquivos do caso.

"Agora todas percebemos que eles realmente queriam nos silenciar. E pensaram que poderiam nos assustar tornando nossos nomes públicos. Mas, para ser sincera, já passamos por coisas piores. Isso não nos afeta. Pelo contrário, nos encoraja a falar mais e não aceitar o silêncio", declarou uma das sobreviventes.

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Outra vítima classificou a ação de Bondi e do DOJ como deliberada e dirigida contra as pessoas agredidas. "Foi divulgada uma lista de vítimas. Isso não faz sentido. Uma lista de vítimas! Isso é intencional!", afirmou.

As declarações surgem um dia após audiência com a Procuradora-Geral no Congresso americano, na qual sobreviventes testemunharam que a promotora Bondi nunca se reuniu com elas e que ninguém do Departamento de Justiça as procurou para ouvir suas histórias.

Bondi foi provocada por arguidores por um vazamento de informações sigilosas no início de fevereiro, no âmbito das divulgações dos arquivos do caso Epstein, que teria revelado informações pessoais de vítimas de maneira supostamente inadvertida.

Advogados de defesa de centenas de supostos sobreviventes de Jeffrey Epstein pressionaram judicialmente pela remoção dos documentos, levando à derrubada de milhares de arquivos do acesso público. O DOJ publicou nota, citada pelo jornal americano ABC News, afirmando que os vazamentos poderiam ter ocorrido "por erro técnico ou humano".