
EUA enviarão maior porta-aviões da frota do Caribe ao Oriente Médio - NYT

Os Estados Unidos vão deslocar o porta-aviões nuclear USS Gerald R. Ford e seus navios de escolta, atualmente posicionados no Caribe, para o Oriente Médio. A informação foi divulgada pelo The New York Times, com base em quatro autoridades americanas.

A nova força naval se juntará ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, que já opera na região, em meio às reiteradas ameaças de Washington sobre um possível ataque contra o Irã.
Segundo as fontes ouvidas pelo jornal, a tripulação do navio foi informada da decisão nesta quinta-feira (12) e não deve retornar aos portos de origem antes do fim de abril ou início de maio.
Na terça-feira (10), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que avaliava enviar um segundo porta-aviões para aumentar a pressão militar caso fracassem as negociações com Teerã sobre o programa nuclear iraniano. Até então, nem a Casa Branca nem a Marinha haviam confirmado qual embarcação seria enviada.
Já o contra-almirante Shahram Iraní, comandante da Marinha da República Islâmica do Irã, negou nesta quarta-feira (11) que haja reforço da presença naval americana próximo ao litoral iraniano.
"Nenhum porta-aviões dos Estados Unidos entrou no Golfo Pérsico", declarou Iraní, em resposta às ameaças feitas por Trump sobre o envio de navios de guerra à região.
O maior navio de guerra dos EUA
O USS Gerald R. Ford (CVN-78), que homenageia o ex-presidente Gerald R. Ford, entrou em serviço em 2017 para substituir gradualmente os porta-aviões da classe Nimitz.
De acordo com o Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA, a construção da embarcação custou cerca de US$ 13 bilhões (cerca de R$ 67,8 bilhões).
O Ford é o maior navio de guerra já lançado ao mar pelos Estados Unidos. Com deslocamento superior a 100 mil toneladas e 334 metros de comprimento, o porta-aviões transporta quase 4.600 pessoas.
Relações tensas
No início de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou uma intervenção militar, primeiro ao citar protestos internos no Irã e, depois, os programas nuclear e de mísseis do país. Teerã atribuiu as mortes durante as manifestações a países ocidentais, denunciados por promover a infiltração terroristas entre os manifestantes.
Mesmo após a normalização da situação interna, Trump manteve as ameaças e voltou a cobrar concessões sobre os programas nuclear e balístico.
Para pressionar, os Estados Unidos enviaram para a região o porta-aviões USS Abraham Lincoln, acompanhado de seu grupo de combate.
O Irã rejeitou as declarações de Trump e disse estar disposto a negociar, mas descartou encerrar o enriquecimento de urânio, principal exigência de Washington, e incluir o programa de mísseis nas tratativas.
Em 6 de fevereiro, delegações de Irã e EUA tiveram, em Mascate, no Omã, a primeira rodada de contatos indiretos sobre o tema nuclear. Após o encontro, Trump afirmou que "o Irã parece muito interessado em chegar a um acordo".
O chanceler iraniano, Seyed Abbas Araghchi, classificou o ambiente como "positivo", confirmou a continuidade do diálogo e reiterou que Teerã responderá a qualquer "erro estratégico" dos Estados Unidos.


