
Israel prende soldados e civis acusados de apostar em ataques militares

Israel prendeu diversas pessoas, entre membros do exército e civis, após surgirem evidências de que elas estariam usando o site de apostas Polymarket para prever e lucrar com ataques militares reais, informou nesta quinta-feira (12) a agência de segurança interna do país, Shin Bet.
A plataforma, baseada em criptomoedas, atua no chamado "mercado de previsões", que permite aos usuários apostar no resultado dos mais diversos eventos globais, incluindo conflitos armados, segundo reportagem do Wall Street Journal.
As prisões ocorreram após o Shin Bet iniciar uma investigação sobre uma série de apostas na plataforma Polymarket relacionadas a ataques de Israel contra o Irã.

O foco das autoridades foram palpites precisos sobre os dias e meses em que as operações militares começariam e terminariam, levantando a suspeita de que informações confidenciais de segurança estariam sendo usadas para obter lucros financeiros.
Um caso central na investigação envolve o usuário "ricosuave666", que lucrou mais de US$ 150 mil (mais de R$ 781 mil) ao prever com exatidão o cronograma de uma guerra de 12 dias entre Israel e Irã no ano passado.
O perfil ficou inativo por meses e retornou recentemente para apostar em novos ataques, atraindo a atenção de outros negociadores etornando-se um dos pilares do inquérito israelense.
Outros casos suspeitos do mercado de previsão citados pela reportagem incluem lucros milionários sobre buscas no Google e apostas certeiras no sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, feito poucas horas antes de explosões atingirem Caracas, sugerindo conhecimento prévio de operações sigilosas dos Estados Unidos.
Advogados ouvidos pelo Wall Street Journal destacam que as detenções em Israel representam o primeiro caso conhecido de prisão por insider trading em plataformas de previsão, pressionando empresas como Polymarket e Kalshi a endurecerem a vigilância contra o vazamento de segredos de Estado.
