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Flotilha internacional irá a Cuba para tentar romper o bloqueio dos EUA

A expedição partirá em março levando alimentos, medicamentos e suprimentos para a população da ilha. Anúncio foi feito nesta quinta-feira (12).
Flotilha internacional irá a Cuba para tentar romper o bloqueio dos EUAGettyimages.ru / Majority World/Universal Images

Uma flotilha internacional, batizada como "Nossa América", tentará romper o bloqueio dos EUA contra Cuba e seguirá até a ilha para levar ajuda humanitária, anunciou a Internacional Progressista nesta quinta-feira (12), em seu perfil em espanhol do X.

A iniciativa nasce de uma coalizão internacional de movimentos sociais e organizações sindicais e humanitárias, com o objetivo de levar alimentos, medicamentos e suprimentos para a população cubana.

"Navegamos em direção a Cuba para levar ajuda humanitária vital ao seu povo. Juntos podemos romper o bloqueio, salvar vidas e defender a causa da autodeterminação cubana", disseram.

A flotilha, segundo informa o El Diario.es, tem previsão de zarpar em março através do Mar do Caribe. A iniciativa se inspira na Flotilha Global Sumud em direção a Gaza, que também prepara uma nova viagem.

"Hoje nos preparamos para navegar rumo a Cuba pela mesma razão que viajamos na Flotilha Global Sumud para Gaza: romper o cerco, levar alimentos e medicamentos, e demonstrar que a solidariedade pode cruzar qualquer fronteira ou mar", disse o norte-americano David Adler, da Internacional Progressista, citado pelo El Diario.es.

Adler acrescentou que "quando os governos impõem castigos coletivos, as pessoas comuns têm a responsabilidade de agir".

O brasileiro Thiago Ávila, outro dos impulsionadores da iniciativa, acrescentou que a flotilha para Cuba "levará mais do que ajuda. Ao romper o cerco norte-americano sobre a ilha, a missão transmite a mensagem de que o povo cubano não está sozinho".

'Trump asfixia a ilha'

Na página oficial da missão, os organizadores sinalizam que a administração dos EUA de Donald Trump "está asfixiando a ilha, cortando o suprimento de combustível, voos e bens essenciais para a sobrevivência".

Acrescentam que "as consequências são letais", tanto para recém-nascidos e seus pais quanto para idosos e doentes.

Nesta quinta-feira (12), chegaram em Cuba dois navios da Marinha do México que zarparam do porto de Veracruz com ajuda humanitária para a população civil da ilha. As embarcações de apoio logístico Papaloapan e Isla Holbox transportam 814 toneladas de mantimentos e itens de primeira necessidade.

Na segunda-feira, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, havia assegurado que o país enviaria mais ajuda humanitária à ilha.

Ameaças de Trump a Cuba

  • Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança do país norte-americano e da região. O texto acusa o governo cubano de se alinhar com "numerosos países hostis", de acolher "grupos terroristas transnacionais" como Hamas e Hezbollah e de permitir o deslocamento na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China;
  • Posteriormente, Trump reconheceu que sua administração mantém contatos com Havana e indicou que chegará a um acordo com Cuba, embora tenha qualificado o país caribenho como "uma nação em decadência" que "já não conta com a Venezuela" para se sustentar;
  • Por sua vez, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou: "Esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano com fins puramente pessoais";
  • Enquanto isso, Moscou expressou sua "firme disposição de seguir prestando a Cuba o apoio político e material necessário". "Da parte russa, confirmou-se a posição de princípio a respeito da inaceitabilidade de exercer pressão econômica e militar sobre Cuba, incluindo o bloqueio do suprimento de energia à ilha, o que poderia provocar uma grave deterioração da situação econômica e humanitária no país", declarou a Chancelaria.