
'O que a China constrói em meses, a UE leva anos para aprovar como projeto', admite Merz

Em seu discurso na Cúpula Europeia da Indústria realizada nesta quarta-feira (11) na cidade belga de Antuérpia, o chanceler alemão, Friedrich Merz, destacou a necessidade de empreender reformas radicais para restabelecer a competitividade da Europa frente à China.

"Precisamos revisar sistematicamente todo o conjunto da legislação vigente da UE", disse Merz referindo-se ao regulamento sobre a CSDDD, uma diretiva da UE que obriga as grandes empresas a prevenir e mitigar os impactos negativos de suas atividades ao meio ambiente.
O chanceler alemão destacou que seu governo reduziu "significativamente" essa regulamentação, embora — lamentavelmente — ainda seja "muito lenta".
"A China constrói as maiores usinas solares do mundo em questão de meses. Na UE, leva anos apenas para obter a aprovação do projeto", denunciou.
"Por isso, proponho aplicar um princípio fundamental na maioria dos processos de autorização. Qualquer projeto que não seja processado em algumas semanas ou meses será considerado automaticamente aprovado", declarou sob aplausos dos empresários presentes.
Declínio da competitividade europeia
Merz alertou também para o declínio da competitividade europeia face à China e aos EUA. "A diferença de crescimento entre a UE e os Estados Unidos está aumentando e a China está nos alcançando", afirmou.
O líder da União Democrata Cristã salientou que, "nos últimos 20 anos, a China cresceu cerca de 8% ao ano, os EUA cerca de 2% e a UE, em média, apenas cerca de 1%". Neste contexto, apelou para que "reduzam essa diferença" e "ajam agora".
O chefe do governo alemão também destacou que a Europa não está indefesa diante das políticas tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump, e está preparada para aplicar medidas de reciprocidade caso Washington imponha tarifas unilaterais aos produtos europeus.
"Nossa abertura ao livre comércio não deve ser mal interpretada. Não somos ingênuos nem indefesos. Dispomos de instrumentos para combater práticas desleais e os utilizaremos se necessário", assegurou.
- A indústria europeia atravessa um período de declínio, em particular na Alemanha, em consequência das sanções contra a Rússia e o boicote aos hidrocarbonetos russos.
- A situação é agravada pelas crescentes tensões com Trump, que ameaça impor mais tarifas aos produtos europeus como ferramenta de pressão para alcançar seus objetivos geopolíticos.

