Diplomatas brasileiros estão analisando o acordo comercial anunciado na semana passada entre os Estados Unidos e a Argentina, diante de preocupações de que o pacto viole as regras do Mercosul. As informações foram divulgadas pela agência Reuters na terça-feira (10).
Diplomatas brasileiros examinam o documento, divulgado por Washington na sexta-feira (6), para determinar o alcance do acordo. A avaliação preliminar é a de que o texto ultrapassa os limites estabelecidos para acordos bilaterais firmados por membros do Mercosul, segundo duas das fontes.
Entenda:
Autoridades brasileiras disseram à Reuters que o novo acordo entre Estados Unidos e Argentina aparentemente abrange cerca de 200 itens, número superior ao limite de exceções tarifárias permitido no âmbito do bloco sul-americano.
"Estamos analisando com muita atenção para que possamos ser justos", afirmou uma das fontes ouvidas pela agência.
Questionado sobre a análise conduzida por Brasília, um funcionário do governo argentino declarou que "as reduções tarifárias anunciadas para produtos norte-americanos estão dentro da lista de 150 exceções a que a Argentina tem direito".
Outra fonte afirmou que o pacto comercial bilateral pode enfrentar outros entraves para além da questão tarifária, uma vez que o Mercosul também tem regras específicas bens e serviços, além de possíveis barreiras técnicas.
O acordo comercial entre Estados Unidos e Argentina foi assinado em 5 de fevereiro de 2026, mas ainda não está em vigor; ele só passará a valer após a conclusão dos trâmites legais internos de ambos os países e a troca formal de notificações, entrando em vigor 60 dias depois desse procedimento, salvo disposição em contrário acordada pelas partes.