Rússia responderá reciprocamente se EUA instalarem mísseis de longo alcance na Alemanha, diz chancelaria

Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, a iniciativa americana promove "um beco sem saída".

A Rússia advertiu que responderá reciprocamente se os Estados Unidos instalarem mísseis de longo alcance na Alemanha, declarou o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Alexander Grushko, em entrevista à mídia Izvestia, publicada nesta quinta-feira (12).

"Nunca evitamos discussões", apontou Grushko. "Mas quando os americanos se retiraram do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, a primeira coisa que fizemos foi anunciar uma moratória na implantação desses mísseis, declarando que não os implantaríamos enquanto os americanos não os implantassem na Europa", continuou, em referência à retirada de ambos os países do tratado em 2019.

"O que mais precisávamos fazer?", questionou, atestando que a posição da Rússia foi repetidamente comunicada aos EUA e que os europeus a conhecem perfeitamente.

"Mas, mais uma vez, quero sublinhar que, atualmente, predominam os ânimos militaristas. E o que a Europa está fazendo hoje é uma tentativa de construir sua segurança contra a Rússia", disse ele.

Em 2024, os governos dos EUA e da Alemanha anunciaram conjuntamente que Washington começaria a implantar sistemas de ataque de longo alcance, incluindo armas hipersônicas, em território alemão até 2026. O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, afirmou então que a implantação de armas de longo alcance americanas deveria impulsionar o desenvolvimento desse tipo de armamento no país europeu.

Segundo Grushko, uma política desse tipo é "absolutamente um beco sem saída", porque não pode haver segurança se ela não se basear no princípio da indivisibilidade — isto é, que não é legítimo reforçar sua segurança às custas de terceiros.

"Portanto, se eles continuarem no caminho de criar um potencial de força contra a Federação da Rússia, devem entender que será criado um potencial de contraforça igual, ainda mais eficaz. Ao invés de um equilíbrio de dissuasão militar razoável, que leve em consideração os interesses nacionais e a segurança de todas as partes, haverá um equilíbrio de ameaças e contra-ameaças", concluiu.