Um novo relatório denominado Classicação Integrada das Fases de Segurança Alimentar sobre desnutrição aguda em Moçambique, publicada na segunda-feira (9), revela que cerca de 72 mil crianças entre 6 e 59 meses sofram, ou venham a sofrer, de desnutrição aguda entre novembro de 2025 e outubro de 2026, necessitando de tratamento imediato e contínuo. Além disso, aproximadamente 19,3 mil mulheres grávidas e lactantes apresentam desnutrição aguda e também precisam de apoio nutricional urgente.
Entre os principais fatores que alimentam a crise estão os conflitos armados e os movimentos de deslocados internos, especialmente em Erati, que recebeu cerca de 83 mil pessoas vindas de Memba, pressionando ainda mais recursos já limitados, como alimentos, água e serviços de saúde.
A qualidade da alimentação infantil é extremamente baixa: em todos os distritos analisados, a Diversidade Mínima da Dieta e a Dieta Mínima Aceitável entre crianças de 6 a 23 meses estão abaixo de 10%, o que significa que a maioria não recebe refeições suficientes nem variedade alimentar adequada. Em quase todos os distritos, o acesso a água potável segura e saneamento melhorado é muito baixo, aumentando a incidência de doenças que comprometem ainda mais o estado nutricional das crianças.
Os especialistas alertam que qualquer redução na ajuda humanitária ou no acesso a serviços básicos poderá resultar em aumento rápido dos casos de desnutrição aguda nos distritos mais vulneráveis.