O Vaticano divulgou na terça-feira (10) um estudo refutando a pesquisa do brasileiro Cícero Moraes, que propôs uma reconstrução digital do Santo Sudário de Turim para discutir a autenticidade histórica do tecido.
Moraes publicou em julho de 2025, na revista Archaeometry, estudo segundo o qual simulações digitais em 3D indicariam que a imagem do Sudário é "mais consistente com uma representação artística em baixo-relevo do que com a impressão direta de um corpo humano real, corroborando hipóteses sobre sua origem como uma obra de arte medieval".
O artigo reproduzido pelo Vatican News e assinado por Tristan Casabianca, Emanuela Marinelli e Alessandro Piana contesta as conclusões do brasileiro.
Os autores apontam "falhas na modelagem anatômica" e afirmam que a impressão no tecido é incompatível com técnicas e estilos artísticos medievais.
Falhas anatômicas e metodológicas
Os críticos do artigo do brasileiro afirmam que a modelagem 3D considera apenas a imagem frontal, inverte direita e esquerda em pés e mãos e adota altura de 180 cm, acima do intervalo entre 173 cm e 177 cm indicado por parte da literatura acadêmica. Também questionam as bases históricas do estudo.
Segundo eles, a simulação foi feita em algodão, e não em linho — material do Sudário —, e desconsidera características apontadas como centrais, como a superficialidade da imagem e a presença de sangue identificada em análises independentes, o que, segundo sustentam, seria incompatível com prática artística medieval.
Em resposta, Cícero Moraes manteve suas conclusões e afirmou que seu artigo tem perspectiva "estritamente metodológica", com foco na avaliação da deformação morfológica.