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Vaticano contesta artigo de cientista brasileiro que questiona autenticidade do Santo Sudário

Para os católicos, o Santo Sudário é a mortalha que teria envolvido Jesus Cristo após a crucificação, mantendo impressas com sangue as marcas de seu rosto.
Vaticano contesta artigo de cientista brasileiro que questiona autenticidade do Santo SudárioStefano Guidi

O Vaticano divulgou na terça-feira (10) um estudo refutando a pesquisa do brasileiro Cícero Moraes, que propôs uma reconstrução digital do Santo Sudário de Turim para discutir a autenticidade histórica do tecido.

Moraes publicou em julho de 2025, na revista Archaeometry, estudo segundo o qual simulações digitais em 3D indicariam que a imagem do Sudário é "mais consistente com uma representação artística em baixo-relevo do que com a impressão direta de um corpo humano real, corroborando hipóteses sobre sua origem como uma obra de arte medieval".

O artigo reproduzido pelo Vatican News e assinado por Tristan Casabianca, Emanuela Marinelli e Alessandro Piana contesta as conclusões do brasileiro.

Os autores apontam "falhas na modelagem anatômica" e afirmam que a impressão no tecido é incompatível com técnicas e estilos artísticos medievais.

Falhas anatômicas e metodológicas

Os críticos do artigo do brasileiro afirmam que a modelagem 3D considera apenas a imagem frontal, inverte direita e esquerda em pés e mãos e adota altura de 180 cm, acima do intervalo entre 173 cm e 177 cm indicado por parte da literatura acadêmica. Também questionam as bases históricas do estudo.

Segundo eles, a simulação foi feita em algodão, e não em linho — material do Sudário —, e desconsidera características apontadas como centrais, como a superficialidade da imagem e a presença de sangue identificada em análises independentes, o que, segundo sustentam, seria incompatível com prática artística medieval.

Em resposta, Cícero Moraes manteve suas conclusões e afirmou que seu artigo tem perspectiva "estritamente metodológica", com foco na avaliação da deformação morfológica.