
Ex-modelo sueca denuncia recrutador de Epstein por tráfico sexual

A ex-modelo sueca Ebba Karlsson apresentou nesta terça-feira (10) uma denúncia ao Ministério Público de Paris por violação e tráfico de pessoas contra Daniel Siad, suspeito de recrutar mulheres para o falecido predador sexual Jeffrey Epstein, informou na quarta-feira (11) o canal francês BFMTV.

Karlsson relatou que conheceu Siad em Estocolmo no início da década de 1990, quando ela tinha 20 anos, acrescentando que o homem se apresentou como cidadão francês, disse se chamar David Golberg e prometeu a ela uma carreira como "top model" na França.
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Promessas, estupros e ameaças
A mulher decidiu aceitar a oferta e viajar, primeiro para Mônaco, onde alega terem começado os problemas, uma vez que não havia nenhuma oportunidade de trabalho. A ex-modelo, agora com 56 anos, disse que naquela época dependia completamente de Siad, porque não tinha passagem de volta.
Pouco depois, Siad a levou para Cannes, onde disse que tinha um amigo com uma casa e poderia ajudá-los. Contudo, ao chegar, a casa estava suja e abandonada, e ambos tiveram que dormir em uma cabana próxima à piscina, onde Siad a teria estuprado.
"Ele queria se aproximar e eu insistia: 'Tenho namorado na Suécia, mantenha distância'. Mas ele insistia e insistia. E me estuprou. Ele me estuprou naquela cabana da piscina", afirmou Karlsson.
Ela acrescenta que logo descobriu que Daniel havia lhe dado um nome falso e que seu passaporte "não era francês, mas marroquino ou argelino".
Posteriormente, Siad a levou para Paris e a apresentou ao diretor da agência de modelos Elite na Europa, Gérald Marie. Karlsson afirma que, após uma entrevista de algumas horas a portas fechadas em seu escritório, Marie levantou sua saia e a estuprou.
Ela afirma que o executivo também a convidou para ir ao seu apartamento para um suposto "casting" com outras garotas muito jovens. "Nos fizeram preencher formulários com nossas medidas. Então Gérald Marie nos disse para nos despirmos e ficarmos apenas de calcinha, sem sutiã. Quando perguntei por quê, ele riu com muita arrogância: 'Porque queremos ver se vocês têm os seios caídos!'", continuou ela.
Dias depois, Siad ameaçou matá-la depois de vê-la conversando com um conhecido na rua. "Ele me agarrou pelo braço e disse: 'Não minta, você não sabe quem eu conheço. Posso mandar matá-la, conheço o chefe da polícia de Paris'", lembrou ela.
A ex-modelo contou que finalmente conseguiu voltar para a Suécia com o pretexto de tirar a carteira de motorista e que viveu "36 anos com medo", sem saber a verdadeira identidade de seu suposto agressor. Em 2020, ela já havia denunciado Marie por estupro, mas o caso foi arquivado por prescrição do crime.
Karlsson afirmou que, só este ano, após a publicação de documentos do caso Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, um jornalista lhe mostrou fotos em que reconheceu Daniel Siad. Seu nome aparece 2 mil vezes nos arquivos divulgados, em conversas com Epstein sobre mulheres jovens e trocas de dinheiro.

