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'Não queremos uma escalada': Kremlin comenta retaliação dos EUA por eventual envio de petróleo a Cuba

Apesar das ameaças de tarifas do governo Trump, entretanto, o comércio com Washington já é "praticamente inexistente", destacou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
'Não queremos uma escalada': Kremlin comenta retaliação dos EUA por eventual envio de petróleo a CubaSputnik / Vitaly Timkiv

Moscou não deseja um agravamento das tensões com Washington, declarou nesta quinta-feira (12) o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, em meio a conversas com Cuba sobre possíveis envios de petróleo russo, contra o acirramento do embargo americano à ilha.

Cuba sofre uma grave crise energética sob pressão dos EUA, diante da ameaça do governo de Donald Trump de impor de tarifas a países que forneçam combustíveis à ilha.

Apesar dos riscos inerentes ao furo do bloqueio, o comércio bilateral russo-americano já é "praticamente inexistente", destaca Peskov, devido a sanções anteriores. 

"Portanto, apostaríamos em uma comunicação construtiva e na resolução dos problemas existentes por meio do diálogo", afirmou o porta-voz.

Questionado sobre planos concretos de suporte à ilha, Peskov enfatizou que é "óbvio" que não se pode falar publicamente sobre tais assuntos em detalhes, "por razões compreensíveis". "Só posso repetir que, durante todos esses dias, estivemos em contato com nossos amigos cubanos e discutimos opções para ajudá-los", destacou.

A Embaixada da Rússia em Havana declarou na quarta-feira (11) que Moscou está preparando um carregamento de petróleo e derivados para Cuba como ajuda humanitária.

As ameaças de Trump a Cuba

Enquanto a Rússia negocia com Cuba possíveis formas de apoio para contornar o bloqueio, o cenário político se acirra com as medidas recentes de Washington.

  • A emergência de Trump: Em 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos assinou ordem executiva que declara "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária representada por Cuba à segurança americana". O texto afirma que Havana mantém alinhamento com "países hostis" e abriga grupos como Hamas e Hezbollah.

  • A posição de Cuba: o presidente Miguel Díaz-Canel reagiu, afirmando que a medida expõe a "natureza fascista e genocida" do atual governo dos EUA.

  • O apoio Russo: Moscou reiterou disposição de oferecer apoio material e político, criticando a "inaceitabilidade" da pressão econômica e do bloqueio energético, que, segundo o governo russo, agravam a crise humanitária na ilha.