Manifestantes protestam contra reforma trabalhista de Milei em Buenos Aires

Dezenas de pessoas foram detidas durante os confrontos com a polícia.

O Senado argentino aprovou, na noite de quarta-feira (11), o projeto de reforma trabalhista promovido pelo governo de Javier Mileireunindo manifestantes em protesto contra a medida em frente ao Congresso Nacional, em Buenos Aires, redundando em confrontos com a polícia no momento da votação. 

O projeto foi aprovado tanto na votação geral quanto na particular, com 42 votos a favor e 30 contra, após semanas de intensas negociações. A iniciativa agora seguirá para a Câmara dos Deputados.

A manifestação se transformou em uma verdadeira batalha campal, com um amplo esquema policial que cercou o prédio do Parlamento. Quando um grupo tentou romper o cordão de policiais, atacando-os com pedaços de madeira, a polícia respondeu com balas de borracha, gás lacrimogêneo e caminhões de água para dispersar a multidão.

Durante os confrontos, manifestantes jogaram pedras, garrafas e outros objetos contundentes. Ao menos 50 pessoas foram detidas, 23 pela Polícia Federal e 16 pela Polícia da Cidade, segundo informações do jornal argentino Perfil. Além disso, 10 policiais ficaram feridos.

O prefeito de Buenos Aires, Jorge Macri, repreendeu em suas redes sociais "delinquentes" detidos, acusando a tática de encobrimento dos rostos pelos manifestantes, frente ao que reivindicou "lei e ordem".

Rejeição sindical

Sindicatos como a Central de Trabalhadores da Educação (CTERA) denunciam que o projeto do governo representa um retrocesso histórico, que destruiria direitos conquistados ao longo de décadas. O texto prevê flexibilização de férias, horários e adicionais por horas extras; a substituição da indenização por um fundo pago pelos próprios trabalhadores; eliminação do aviso prévio nos períodos de experiência; limitação de reajustes salariais pela inflação; redução de custos de demissão em benefício dos empregadores; restrição do direito à greve; limitação das assembleias sindicais e penalização de ações de protesto, com o objetivo de enfraquecer as organizações trabalhistas.

Por sua vez, o sindicato dos trabalhadores de instituições financeiras, La Bancaria, rejeitou mecanismos como banco de horas, folgas compensatórias e a possibilidade de jornadas de até 12 horas sem pagamento de horas extras. Além disso, alerta que, com a reforma, o empregador poderá eliminar a qualquer momento adicionais, bônus ou comissões de venda, que atualmente fazem parte do salário fixo de muitos trabalhadores.