
Manifestantes protestam contra reforma trabalhista de Milei em Buenos Aires

O Senado argentino aprovou, na noite de quarta-feira (11), o projeto de reforma trabalhista promovido pelo governo de Javier Milei, reunindo manifestantes em protesto contra a medida em frente ao Congresso Nacional, em Buenos Aires, redundando em confrontos com a polícia no momento da votação.
El cacerolazo frente al Congreso mientras se trata la Ley de Modernización Laboral en el Senado.https://t.co/UgSv4IW2UVpic.twitter.com/lcWyp1h2nq
— Corta (@somoscorta) February 12, 2026
O projeto foi aprovado tanto na votação geral quanto na particular, com 42 votos a favor e 30 contra, após semanas de intensas negociações. A iniciativa agora seguirá para a Câmara dos Deputados.
#Argentina#CongresoDeLaRepublica“La calle sitiada: gases, hidrantes y detenciones como política de Estado”La respuesta política del Gobierno a la protesta fue clara: represión. Balas de goma, hidrantes y gases en las calles. Hay heridos y detenidos. #Represión#ProtestaSocialpic.twitter.com/xWWvDW47hg
— Cesar Garzon (@Cesargarzon80) February 11, 2026
A manifestação se transformou em uma verdadeira batalha campal, com um amplo esquema policial que cercou o prédio do Parlamento. Quando um grupo tentou romper o cordão de policiais, atacando-os com pedaços de madeira, a polícia respondeu com balas de borracha, gás lacrimogêneo e caminhões de água para dispersar a multidão.

Durante os confrontos, manifestantes jogaram pedras, garrafas e outros objetos contundentes. Ao menos 50 pessoas foram detidas, 23 pela Polícia Federal e 16 pela Polícia da Cidade, segundo informações do jornal argentino Perfil. Além disso, 10 policiais ficaram feridos.
O prefeito de Buenos Aires, Jorge Macri, repreendeu em suas redes sociais "delinquentes" detidos, acusando a tática de encobrimento dos rostos pelos manifestantes, frente ao que reivindicou "lei e ordem".
Estos delincuentes creían que tapándose la cara iban a zafar. Asi terminaron. 15 detenidos. 40 demorados. Ley y orden. pic.twitter.com/FYL5p7pnPH
— Jorge Macri (@jorgemacri) February 11, 2026
📸 • Imágenes de la represión y las detenciones ilegales durante la manifestación en contra de la reforma laboral del gobierno de Javier Milei.¡DIFUNDIR! pic.twitter.com/DeRlgTxdRL
— Shok Argentina (@shokargentina) February 11, 2026
Rejeição sindical
Sindicatos como a Central de Trabalhadores da Educação (CTERA) denunciam que o projeto do governo representa um retrocesso histórico, que destruiria direitos conquistados ao longo de décadas. O texto prevê flexibilização de férias, horários e adicionais por horas extras; a substituição da indenização por um fundo pago pelos próprios trabalhadores; eliminação do aviso prévio nos períodos de experiência; limitação de reajustes salariais pela inflação; redução de custos de demissão em benefício dos empregadores; restrição do direito à greve; limitação das assembleias sindicais e penalização de ações de protesto, com o objetivo de enfraquecer as organizações trabalhistas.
Por sua vez, o sindicato dos trabalhadores de instituições financeiras, La Bancaria, rejeitou mecanismos como banco de horas, folgas compensatórias e a possibilidade de jornadas de até 12 horas sem pagamento de horas extras. Além disso, alerta que, com a reforma, o empregador poderá eliminar a qualquer momento adicionais, bônus ou comissões de venda, que atualmente fazem parte do salário fixo de muitos trabalhadores.
