Manifestantes se enfrentaram com a polícia na quarta-feira (11) em frente ao Congresso Nacional, em Buenos Aires, durante protestos contra o projeto de reforma trabalhista do governo de Javier Milei. Ao mesmo tempo, o Senado iniciou o debate sobre a proposta.
Em meio a um forte esquema policial e extensas grades de proteção ao prédio, um grupo tentou romper o cordão de agentes, atacando-os com paus. A polícia reagiu com balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar quem tentava ultrapassar as barreiras instaladas ao redor do Congresso.
Segundo o canal TN, alguns manifestantes arremessaram pedras e até bombas caseiras contra os policiais.
O Ministério da Segurança montou um amplo dispositivo nas imediações do Congresso e nas ruas próximas para impedir que a manifestação interrompesse o debate. Até o momento, não há informações oficiais consolidadas sobre feridos ou detidos, embora veículos locais relatem corridas e momentos de tensão em diferentes pontos do ato.
A mobilização foi convocada por centrais sindicais e setores da oposição, que rejeitam as mudanças propostas na legislação trabalhista. O governo, por sua vez, afirma que a reforma busca "modernizar" o mercado de trabalho e incentivar a contratação formal. Enquanto isso, o debate continua no Senado, paralelamente às manifestações nas ruas.
Rejeição sindical
Sindicatos como a Central de Trabalhadores da Educação (CTERA) denunciam que o projeto do governo representa um retrocesso histórico, que destruiria direitos conquistados ao longo de décadas. O texto prevê flexibilização de férias, horários e adicionais por horas extras; a substituição da indenização por um fundo pago pelos próprios trabalhadores; eliminação do aviso prévio nos períodos de experiência; limitação de reajustes salariais pela inflação; redução de custos de demissão em benefício dos empregadores; restrição do direito à greve; limitação das assembleias sindicais e penalização de ações de protesto, com o objetivo de enfraquecer as organizações trabalhistas.
Por sua vez, o sindicato dos trabalhadores de instituições financeiras, La Bancaria, rejeitou mecanismos como banco de horas, folgas compensatórias e a possibilidade de jornadas de até 12 horas sem pagamento de horas extras. Além disso, alerta que, com a reforma, o empregador poderá eliminar a qualquer momento adicionais, bônus ou comissões de venda, que atualmente fazem parte do salário fixo de muitos trabalhadores.