
País da União Europeia avalia adesão a projeto de caça com Japão, Reino Unido e Itália

O governo da Alemanha estuda a possibilidade de integrar o programa de desenvolvimento de um caça de combate conduzido conjuntamente por Japão, Reino Unido e Itália, informou a agência japonesa Jiji nesta quarta-feira (11). A análise ocorre em meio ao risco de colapso de um projeto semelhante que Berlim mantém com a França e a Espanha.
A cooperação franco-alemã, iniciada em 2017, enfrenta crises de confiança entre as empresas Dassault e Airbus. A disputa pelo controle tecnológico e pela liderança industrial do projeto gerou um impasse que especialistas locais consideram difícil de reverter.
Em janeiro, o chanceler alemão Friedrich Merz consultou o governo italiano sobre as condições de entrada no grupo tripartite do projeto conhecido como Programa de Combate Aéreo Global (GCAP, na sigla em inglês). A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, demonstrou abertura à proposta, que poderia diluir os custos globais de desenvolvimento do caça.

Contudo, a entrada de um novo membro pode reduzir a fatia de mercado das empresas já estabelecidas e tornar o processo de decisão mais lento. O grupo atual já possui uma estrutura de gestão definida, o que exigiria readequações técnicas e políticas.
Como alternativa, a Suécia, por meio da fabricante Saab, manifestou interesse em colaborar diretamente com os alemães. Essa opção permitiria à Alemanha manter um papel de liderança técnica, sem a necessidade de se ajustar a um cronograma já em andamento.
As divergências técnicas entre França e Alemanha também pesam na decisão. Enquanto Berlim busca um caça pesado para superioridade aérea, Paris necessita de uma aeronave leve capaz de operar em porta-aviões e realizar missões com armamento nuclear.
O Ministério da Defesa do Japão evitou confirmar à Jiji contatos oficiais com o governo alemão sobre o tema. O órgão limitou-se a afirmar que o projeto foi desenvolvido para permitir a colaboração estratégica entre nações aliadas e parceiras que compartilham interesses comuns.
