
EUA convocam cúpula militar para alinhar nova estratégia de segurança nas Américas

Washington sedia, nesta quarta-feira (11), uma reunião com dezenas de chefes militares das Américas e Europa. O encontro, convocado pela primeira vez para abordar questões que os EUA classificam como "primordiais" para sua segurança nacional, foi antecipado pelo jornal The New York Times.
A cúpula busca "fortalecer a cooperação regional" e reúne o alto comando militar de mais de 30 países. Além de nações latino-americanas, participam representantes de Dinamarca, França e Reino Unido — potências europeias que ainda mantêm territórios nas Américas.
'Interesses compartilhados' e postura ofensiva
Durante o evento, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que, sob a administração de Donald Trump, o Pentágono assumiu uma postura "ofensiva contra narcoterroristas" nas Américas. A declaração foi reforçada pelo subsecretário interino, Joseph Humire.
"Graças à liderança e tenacidade do presidente Trump, e sua recusa em aceitar o status quo, estamos protegendo nossos interesses compartilhados", declarou Hegseth. O secretário também citou o ex-presidente Teddy Roosevelt, sublinhando a necessidade de "trabalhar juntos" para evitar que adversários explorem infraestruturas na região, em um aceno direto à Doutrina Monroe.
Mudança de prioridades estratégicas
Segundo fontes governamentais, as deliberações são lideradas pelo general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA. O foco central é a nova estratégia de segurança nacional que, em uma mudança de eixo, passa a priorizar as Américas à frente de regiões como a Ásia e o Oriente Médio.

Por sua vez, o general Francis Donovan, novo chefe do Comando Sul (SOUTHCOM, na sigla em inglês), deve apresentar planos para ampliar a presença militar na luta contra grupos transnacionais na América Latina. Paralelamente, Gregory Guillot, chefe do Comando Norte, detalhará o uso de sensores avançados e vigilância espacial para o controle de fronteiras.
Tensões nas Américas
Apesar da retórica de cooperação, o esforço de Washington ocorre em um cenário de forte instabilidade nas relações na região. A tensão escalou após a intervenção militar na Venezuela, em 3 de janeiro, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro, além das pretensões declaradas de Trump de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo dinamarquês.
Soma-se a isso a conduta do Pentágono no Caribe e no Pacífico, onde há meses realiza bombardeios contra pequenas embarcações rotuladas como "narcolanchas" — muitas vezes sem a apresentação de provas, o que gerou protestos de países vizinhos. Na terça-feira (10), Trump reiterou sua intenção de lançar ataques terrestres contra alvos na América Latina que Washington vincule ao tráfico de drogas, ignorando a soberania dos países da região.
