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Agricultores protestam em Madri contra acordo UE-Mercosul e alertam para 'morte do campo espanhol'

Enquanto produtores europeus criticam exigências ambientais e cortes na Política Agrícola Comum, analistas apontam que o acordo também impõe cotas restritivas e mecanismos que podem gerar desequilíbrios para os países do Mercosul.
Agricultores protestam em Madri contra acordo UE-Mercosul e alertam para 'morte do campo espanhol'Gettyimages.ru / NurPhoto

Agricultores e pecuaristas de todas as partes da Espanha tomaram as ruas do centro de Madri para nesta quarta-feira (11) para protestar contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, além do corte no orçamento da Política Agrícola Comum (PAC, na sigla em espanhol).

Entre as denúncias, os manifestantes afirmam que o acordo pacto comercial desequilibra o mercado e cria condições injustas para os produtores.

Em entrevista à RT, Gonzalo Martínez, porta-voz da União Nacional de Associações do Setor Primário Independentes (Unaspi), falou sobre o sentimento geral do setor, afirmando que a situação é tão dramática quanto um enterro: "Será a morte do campo espanhol", diz, acrescentando que "toda a agricultura e pecuária espanhola serão inviáveis com o acordo do Mercosul".

Martínez enfatiza as regras ambientais, que são rigorosas nos países membros da UE, mas não vigoram em outras regiões. "Nós não podemos utilizar defensivos agrícolas como os que eles utilizam", exemplifica, afirmando que, "com uma mão amarrada nas costas", o campo espanhol não terá como competir.

"As instituições de Bruxelas são as culpadas", afirmou Martínez, em alusão à legislação ecológica estabelecida na UE durante as últimas décadas.

Não agradou ninguém?

Segundo o economista Paulo Nogueira Batista Jr., boa parte dos produtos de maior interesse para o Brasil seguirá submetida a cotas restritivas no acordo entre Mercosul e União Europeia, como carne bovina, frango e etanol. Em artigo ao portal Brasil de Fato, ele observa ainda que itens básicos da pauta exportadora brasileira — como soja, café verde e minério de ferro — já contavam com tarifa zero antes mesmo da conclusão das negociações.

O analista observa que as cotas estabelecidas representam cerca de 1% do consumo europeu, o que, em sua avaliação, evidencia o alcance limitado das concessões oferecidas ao bloco sul-americano.

Ainda de acordo com Batista Jr., o Parlamento Europeu aprovou diretriz para que a Comissão Europeia inclua uma cláusula de salvaguarda que permita a abertura de investigação acelerada caso as importações aumentem 5%. O mecanismo, de apenas três meses, pode resultar na suspensão das condições preferenciais de acesso ao mercado europeu ou na exigência de que os países do Mercosul adotem padrões europeus de produção.