O que é o 'dedo gelado da morte' nas águas da Antártida e do Ártico?

Este fenômeno natural que ocorre nas águas congelantes dos polos pode atingir rapidamente o fundo do mar e matar organismos lentos demais para escapar.

Alguns fenômenos da natureza são extremamente raros e resultam da combinação de processos físicos específicos que acontecem em pontos muito particulares do planeta  seja na superfície, na atmosfera ou debaixo d’água.

É o caso dos brinículos , formações submarinas de gelo que surgem nas águas geladas e remotas da Antártida e do Ártico. No início, eles lembram um grande pingente de gelo. Com o tempo, porém, podem se transformar em uma espécie de escultura alongada e sinuosa, que desce da camada de gelo na superfície até o fundo do mar.

Primeiro registro visual

O fenômeno foi identificado na década de 1960, mas só ganhou registro em vídeo em 2011, durante as filmagens de uma série documental.

Os brinículos também são chamados de "pingentes de salmoura" ou, de forma mais dramática, "dedo gelado da morte". E o apelido não é exagero: essa estalactite submarina pode congelar tudo o que toca, deixando para trás um rastro de pequenos animais marinhos congelados.

Como se forma o "dedo gelado da morte"

O processo começa quando a água do mar extremamente salgada, chamada salmoura, é expelida do gelo marinho em formação. Essa água tem ponto de congelamento muito mais baixo e pode permanecer líquida mesmo a temperaturas de até –15 °C, devido à alta concentração de sal.

Mais densa e fria, a salmoura afunda em direção ao fundo do oceano. Ao descer, congela a água do mar ao redor, formando um tubo de gelo que cresce para baixo.

Um brinículo pode atingir cerca de 25 centímetros de diâmetro e avançar vários metros por dia.

Quando chega ao fundo, continua se espalhando horizontalmente, congelando o que encontra pelo caminho. Estrelas-do-mar, ouriços-do-mar e outros organismos de locomoção lenta acabam presos no gelo.

É perigoso para mamíferos?

Segundo Andrew Thurber, professor associado de Ecologia Oceânica e Biogeoquímica da Universidade Estadual do Oregon (EUA), o fenômeno não representa risco significativo para espécies maiores, como focas e baleias, nem para mergulhadores.

"Eu vi as consequências pessoalmente, grupos de animais mortos e depois vídeos de como eles ficam presos", afirmou ao site HowStuffWorks. "É um problema muito localizado. Geralmente ocorre em águas rasas, onde as espécies são abundantes e comuns. Embora haja pequenas áreas com animais mortos, é improvável que isso tenha impacto relevante sobre o tamanho das populações."

Assim, o chamado "dedo gelado da morte" representa ameaça principalmente para pequenos organismos marinhos que vivem no fundo do mar, e não para grandes mamíferos ou seres humanos que exploram as águas polares.

De acordo com Andrew Thurber, professor associado de Ecologia Oceânica e Biogeoquímica na Universidade Estadual do Oregon (EUA), os pingentes de gelo submarinos não representam uma ameaça para espécies maiores, como focas e baleias, nem são um perigo particular para aqueles que precisam mergulhar perto deles.

"Eu vi as consequências pessoalmente (os grupos de animais mortos) e depois vídeos de como eles são presos", explicou ele ao HowStuffWorks. "Eles são um problema muito localizado para os animais. Geralmente aparecem apenas em águas rasas, e as espécies que habitam essas águas costumam ser abundantes e comuns. Portanto, embora ocorram pequenas manchas de animais mortos, em geral é muito provável que elas tenham um papel mínimo ou nenhum papel no tamanho da população desses animais."