Secretário de Energia dos EUA chega à Venezuela

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, chegou nesta quarta-feira ao aeroporto internacional Simón Bolívar International Airport, em Maiquetía, no estado de La Guaira. Trata-se da primeira visita oficial de um representante do mais alto escalão do governo de Donald Trump desde que o Pentágono lançou bombardeios massivos contra Caracas e outras localidades, com o objetivo de sequestrar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, a deputada Cilia Flores.
Antes dessa visita, Washington e Caracas decidiram restabelecer as relações diplomáticas que haviam sido suspensas em 2019, depois que os EUA, durante o primeiro mandato de Trump, decidiram não reconhecer Maduro como chefe de Estado e apoiar, em seu lugar, o autoproclamado "presidente interino", Juan Guaidó, que tentou criar um Estado paralelo na Venezuela, o que lhe permitiu, com o respaldo das autoridades norte-americanas, de outros países e da oposição extremista venezuelana, apropriar-se de vultosas riquezas do Estado no exterior, além de controlar a refinaria Citgo, no Texas, pertencente à estatal PDVSA.
Antes da visita, Washington e Caracas decidiram restabelecer as relações diplomáticas suspensas desde 2019. Naquele ano, durante o primeiro mandato de Donald Trump, os EUA deixaram de reconhecer Nicolás Maduro como chefe de Estado da Venezuela e passaram a apoiar o autoproclamado "presidente interino", Juan Guaidó, em uma que iniciativa permitiu a tentativa de criação de uma estrutura paralela de poder no país. Nesse contexto, ativos venezuelanos no exterior ficaram sob controle de autoridades norte-americanas, de governos aliados e de setores da oposição. Entre eles está a refinaria Citgo, no estado do Texas, pertencente à estatal petrolífera PDVSA.
Para retomar os vínculos que haviam sido totalmente dissolvidos, a ponto de não existirem delegações diplomáticas em nenhum dos dois países, os EUA nomearam Laura Dogu como encarregada de negócios na Venezuela; e Caracas designou Félix Plascencia para sua embaixada em território norte-americano. Ao chegar ao país sul-americano, Dogu manteve um encontro no Palácio de Miraflores com a presidente encarregada, Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo devido à detenção de Maduro nos EUA, onde se encontra privado de liberdade, acusado sem provas de suposto "narcoterrorismo".
Interesses profundos
A visita de Wright ocorre no contexto dos profundos interesses dos EUA em retomar sua participação na exploração dos poços petrolíferos da Venezuela, uma questão que o próprio Trump apontou como prioritária para Washington, uma vez que o país sul-americano possui as maiores reservas de petróleo do planeta e uma das maiores reservas de gás do mundo, além de outros recursos naturais considerados estratégicos para o país norte-americano.
Trump declarou recentemente que, como parte das novas negociações com Caracas, alcançadas após a ofensiva militar de 3 de janeiro, as companhias petrolíferas norte-americanas devem entrar rapidamente na Venezuela para iniciar a produção de petróleo que, segundo o mandatário, gerará grandes riquezas tanto para os EUA quanto para os venezuelanos.
Para isso, Washington passou a eliminar parte das sanções unilaterais que havia imposto à indústria petrolífera venezuelana com o objetivo de boicotar sua produção e comercialização no exterior. Essas medidas atendem ao interesse das empresas petrolíferas norte-americanas em ingressar no país sul-americano e explorar suas reservas de petróleo.
Por sua vez, as autoridades venezuelanas avançaram, há algumas semanas, na reforma da Lei Orgânica de Hidrocarbonetos, com o objetivo de estabelecer um marco legal mais atrativo para o investimento estrangeiro e para que as empresas petrolíferas transnacionais se sintam seguras para participar do setor energético venezuelano.
