Um grupo de congressistas democratas apresentou, na segunda-feira (10), na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, uma resolução que propõe o fim da Doutrina Monroe e estabelecer uma "Nova Política de Boa Vizinhança" para a América Latina e o Caribe.
A iniciativa foi proposta em uma coletiva de imprensa no Capitólio, com a presença de vítimas de ditaduras e do intervencionismo americano na região.
A resolução é impulsionada desde 2023 pela congressista Nydia M. Velázquez, junto com Delia Ramírez, Rashida Tlaib e Chuy García. Conforme explicou Velázquez, o texto exige que o Departamento de Estado confirme formalmente que a Doutrina Monroe não é mais política oficial dos Estados Unidos e propõe uma mudança na relação com os países latino-americanos.
Durante a apresentação, Luz de las Nieves Ayress Moreno, sobrevivente da ditadura no Chile, afirmou que as torturas sofridas durante o regime de Augusto Pinochet fizeram parte de um esquema regional impulsionado por Washington. "Todas essas torturas foram aprendidas aqui, nas escolas das Américas, nos Estados Unidos", declarou, responsabilizando diretamente o governo de Richard Nixon e Henry Kissinger pelo respaldo à ditadura chilena.
Velázquez detalhou que a resolução também reivindica o fim das sanções unilaterais, a desclassificação de arquivos sobre golpes de Estado e ditaduras apoiadas pelos Estados Unidos, além de uma reforma das instituições financeiras internacionais.
Interesses corporativos
Na mesma linha, a congressista Rashida Tlaib denunciou que o intervencionismo americano responde a interesses corporativos, e não à defesa dos direitos humanos.
"Não se trata de democracia nem de direitos humanos. Trata-se dos interesses corporativos americanos que dominam a região, do petróleo ao lítio, tecnologia e telecomunicações, e que sufocam as tentativas dos povos de reclamar sua soberania", declarou.
Tlaib complementou citando a recente operação militar dos EUA na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro. Ela também mencionou as interferências norte-americana em eleições pelo continente, além da situação em Cuba.
"Trata-se de mudanças de governo e dominação. Vemos isso no bombardeio da Venezuela por parte da Administração Trump e no sequestro do seu presidente. Vemos isso na interferência ilegal de Trump nas eleições de Honduras e da Argentina. E vemos isso na horrível nova ordem executiva da Administração Trump para isolar e estrangular o povo de Cuba", afirmou, ao vincular a política externa de Washington a sanções econômicas e ações militares na América Latina e no Caribe.