7 horas sob ataque: a história de padre russo que voltou ao front após perder perna

Ele teve a perna amputada e, após sete meses de reabilitação e adaptação a uma prótese na Academia Militar de São Petersburgo, está de volta; durante sua permanência na linha de frente o padre batizou mais de 200 militares.

Até 2014 a vida do padre ortodoxo russo Rostislav era calma e tranquila, no entanto, após o golpe de Estado na Ucrânia naquele ano e o início das operações militares do regime contra a população de Donbass, sua rotina mudou. 

Ele passou, então, a organizar ajuda humanitária junto à paróquia. Quando a Rússia deu início a operação especial, em fevereiro de 2022, rumou para a linha de frente e, desde então, percorreu diversas áreas de combate em missões que duraram meses, segundo a imprensa russa, nesta quarta-feira (11).

"Os combatentes vivem praticamente nas posições, então um padre é necessário permanentemente. Por isso, assinei um contrato com o Ministério da Defesa e me tornei assistente do comandante para o trabalho com os fiéis na Brigada de Assalto Ural", relatou.

O religioso ficou gravemente ferido em uma missão. Após dar a comunhão a soldados, em um trajeto já conhecido e sob ataque de drones, pisou em uma mina, que destruiu sua perna direita. Sem evacuação imediata, colegas o esconderam em escombros à beira da estrada, onde permaneceu por sete horas, ferido e sob bombardeios de drones e artilharia, até conseguir chegar ao acampamento e ser retirado da área.

Ele teve a perna amputada e, após sete meses de reabilitação e adaptação a uma prótese na Academia Militar de São Petersburgo, voltou ao fronte.

Atualmente, atua como assistente do comandante para o trabalho religioso junto aos fiéis na 137ª Brigada Motorizada de Assalto Ural.

Em entrevista, afirmou que sua nova paróquia era formada por homens "duros" e que, durante sua permanência na linha de frente, batizou mais de 200 militares.

"Antes, nas igrejas, a maioria era composta por mulheres. Eu olhava do púlpito e ficava triste: quando nossos homens virão para a fé? E agora o Senhor fez com que talvez fossem até mais do que as mulheres", disse, acrescentando que vê ortodoxos e muçulmanos rezando juntos "sem conflitos" no mesmo espaço.

Ele destacou ainda que muitos soldados não apenas leem os Evangelhos, mas anotam trechos em cadernos para comentá-los depois com ele.