
Musk explica como Epstein garantiu silêncio de suas vítimas

Um grande número de crianças vítimas do criminoso sexual Jeffrey Epstein teriam se envolvido em atividades ilegais depois de atingirem a idade adulta, alegou o bilionário americano Elon Musk na terça-feira (10).

Um usuário perguntou por que as vítimas de Epstein ainda não haviam denunciado publicamente aqueles supostamente ligados às suas atividades escandalosas.
"A maioria das crianças vítimas foram transformadas em traficantes por Epstein depois dos 18 anos", escreveu o empresário em sua conta no X em resposta a uma publicação.
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"Ao forçá-las a cometer crimes com ele, Epstein garantiu o silêncio delas de forma mais eficaz do que qualquer acordo de confidencialidade", argumentou Musk. Ele argumenta que essas pessoas "deveriam receber anistia para que possam testemunhar".
Forte alegação
O argumento de Musk é parcialmente corroborado pelo indiciamento de Epstein no caso judicial de 2019. Os promotores alegaram à época que Epstein supostamente pagava a várias vítimas de abuso para que recrutassem outras meninas menores de idade, envolvendo-se em violações sexuais semelhantes em troca de dinheiro.
"Nobody's Girl" ['Garota de Ninguém'], a biografia de Virginia Giuffre, uma das mais notórias vítimas do esquema sexual de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell, supostamente recrutada aos 16 anos, foi publicada postumamente após seu suicídio em abril de 2025. O livro alude aos processo de recrutamento de outras vítimas após a sua própria vitimização.
"Os rostos das meninas que recrutei sempre me assombrarão", escreveu Giuffre, descrevendo a conduta como "a pior coisa que já [fez] na vida".
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Uma ação coletiva movida na justiça americana em 2023 contra a agência financeira JPMorgan Chase, por facilitar as operações do esquema de Epstein, reafirma a experiência de Giuffre. Antes de encerrar a ação com um acordo de US$ 290 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) para as vítimas, a agência buscou barrar o depoimento de uma das reclamantes, identificada como "Jane Doe" 1 [nome genérico para se referir a uma mulher anônima ou de identidade protegida], por ter supostamente contribuído com o recrutamento de outras vítimas, para além de ter vivido instabilidades financeiras ao ponto de ser particularmente vulnerável à manipulação de Epstein.
"Jane Doe alega que Jeffrey Epstein recrutava suas vítimas com um 'modus operandi' comum. Seu padrão era usar vítimas anteriores para atrair vítimas jovens e vulneráveis, levá-las para sua casa, abusá-las sexualmente durante uma massagem e, em seguida, oferecer-lhes dinheiro ou algo de valor", escreve a defesa das reclamantes.
"Se ele de fato utilizava esse padrão, e se isso faria com que uma pessoa razoável (caracterizada pela juventude e relativa privação típicas das vítimas de Epstein) se sentisse coagida, são questões passíveis de comprovação", continua o documento.

