Taiwan considerou "impossível" a ideia de transferir cerca de 40% de sua capacidade de fabricação de semicondutores para os Estados Unidos, em resposta às pressões de Washington, segundo informou a Reuters na segunda-feira (9).
A vice-líder do governo taiwanês, Cheng Li-chiun, afirmou ter transmitido a mensagem diretamente às autoridades americanas.
"Deixei muito claro para os Estados Unidos que isso é impossível", disse ela, referindo-se à meta mencionada pelo secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick.
Cheng destacou que o ecossistema de semicondutores taiwanês, desenvolvido ao longo de décadas, "continuará crescendo" na ilha e que a indústria "continuará investindo no país".
"Nossa capacidade total só vai continuar aumentando, mas podemos ampliar nossa presença nos Estados Unidos", enfatizou.
Segundo a funcionária, a expansão internacional — incluindo o aumento do investimento em território norte-americano — baseia-se em uma condição: que continuem "firmemente enraizados" em Taiwan e continuem ampliando o investimento na ilha.
Cheng acrescentou que não haverá realocação dos parques científicos taiwaneses, embora Taipé esteja disposta a compartilhar sua experiência na criação de polos industriais e ajudar os EUA a desenvolver um ambiente semelhante.
Desejo de Washington
Os comentários contradizem os objetivos de deslocalização delineados por Howard Lutnick logo após o último acordo comercial entre Washington e Taipé. Lutnick afirmou que queria que 40% de toda a cadeia de fornecimento de chips de Taiwan fosse transferida para o país norte-americano.
De acordo com o acordo, a ilha prometeu 250 bilhões de dólares (cerca de R$1,3 trilhão) em investimentos diretos por parte de suas empresas de tecnologia, com um crédito adicional do mesmo valor para que elas expandam sua capacidade de produção nos Estados Unidos.
Washington, por sua vez, reduziu as tarifas sobre a maioria dos produtos de Taiwan de 20% para 15%, suspendeu as tarifas sobre medicamentos e ingredientes genéricos, componentes de aeronaves e recursos naturais não disponíveis no país, entre outras medidas.