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Presidente do Irã reafirma que país não busca desenvolver armas nucleares

Em discurso no aniversário da Revolução Islâmica, Masoud Pezeshkian declarou que Teerã está pronta a se submeter a verificações internacionais e ressaltou a disponibilidade para o diálogo.
Presidente do Irã reafirma que país não busca desenvolver armas nuclearesGettyimages.ru / John Lamparski

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reafirmou nesta quarta-feira (11), durante a celebração do 47º aniversário da Revolução Islâmica, que seu país não busca desenvolver armas nucleares e está disposto a se submeter a verificações internacionais. A declaração foi feita em meio à crescente tensão com os Estados Unidos, que tem ameaçado intervenção militar. 

"Declaramos repetidamente que não buscamos armas nucleares e que estamos dispostos a nos submeter a verificações no âmbito do direito internacional", afirmou Pezeshkian.

O presidente iraniano também sinalizou que o país está aberto para o diálogo com a comunidade internacional, desde que sejam respeitados o direito internacional e os limites do país.

ENTENDA O PROGRAMA NUCLEAR DO IRÃ LENDO NOSSO ARTIGO.

O presidente destacou que a prioridade do governo iraniano é "o sustento da população", ressaltando que o governo fortalecerá as relações com os países islâmicos e as "alianças estratégicas" internacionais para impulsionar a produção interna. 

Relações tensas

No início de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou uma intervenção militar, inicialmente citando protestos internos no Irã e, depois, os programas nuclear e de mísseis do país. O Irã, por sua vez, culpou os países ocidentais pelas mortes ocorridas durante os protestos, acusando-os de infiltrar terroristas entre os manifestantes.

Mesmo depois que a situação dentro do Irã foi controlada, o presidente norte-americano não abandonou suas ameaças, citando outros motivos e retomando as exigências relacionadas aos programas nuclear e de mísseis. Os EUA enviaram para perto do país persa o porta-aviões USS Abraham Lincoln acompanhado de seu grupo de combate.

O Irã rejeitou as ameaças de Trump e expressou disposição para negociar, recusando-se a abandonar o enriquecimento de urânio, uma exigência fundamental de Washington, bem como a abordar seu programa de mísseis.

Em 6 de fevereiro, delegações do Irã e EUA realizaram, em Mascate, Omã, a primeira rodada de contatos indiretos sobre a questão nuclear. Após o encontro, Trump afirmou que "o Irã parece muito interessado em chegar a um acordo".

Enquanto isso, o chanceler iraniano, Seyed Abbas Araghchi, descreveu o ambiente como "positivo" e confirmou a manutenção do canal de diálogo, reiterando que Teerã responderá a qualquer "erro estratégico" dos Estados Unidos.