Uma pesquisa publicada pela Politico nesta quarta-feira (11) revelou que 52% dos britânicos acreditam que o primeiro-ministro Keir Starmer deveria renunciar, após as revelações sobre a relação do ex-embaixador do Reino Unido nos EUA, Peter Mandelson, com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Enquanto isso, apenas 19% consideram que Starmer deveria permanecer no cargo, embora condicionando sua permanência à renúncia de seus assessores.
Dentre aqueles favoráveis à renúncia do premiê, quase metade dos entrevistados avalia que o escândalo Mandelson não é a única razão para uma mudança de governo, expressando descontentamento mais profundo com a gestão do Partido Trabalhista.
O escândalo Mandelson
Peter Mandelson renunciou ao seu assento na Câmara de Lordes do Reino Unido após documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos no âmbito do caso Jeffrey Epstein indicarem conexões entre Mandelson e seu marido brasileiro, Reinaldo Avila, com o criminoso sexual.
E-mails enviados a Epstein enquanto Mandelson era Secretário de Estado para Negócios no governo de Gordon Brown incluíam documentos confidenciais, informações financeiras privilegiadas [insider trading], evidências de corrupção passiva e tentativas de influenciar a política econômica do país.
O próprio premiê Starmer está ciente de que o escândalo pode corroer sua autoridade em Downing Street.
«PARA SABER MAIS SOBRE QUEM FOI JEFFREY EPSTEIN, LEIA ESTE ARTIGO»
Starmer discursou a parlamentares na quarta-feira passada (4), descrevendo a conduta de Mandelson em relação ao país, ao Parlamento e ao Partido Trabalhista como "traição". Ele admitiu que "se arrepende" de tê-lo nomeado para embaixador dos EUA e afirmou que "jamais teria chegado perto do governo" se soubesse, na época, das informações recentemente reveladas.
Para tentar conter os danos, Starmer anunciou uma série de medidas excepcionais: pressionar por uma legislação para cassar o título de nobreza de Mandelson, criar um mecanismo para expulsar lordes em desgraça e remover o ex-ministro da lista de Conselheiros Privados, uma decisão que, segundo ele, já havia sido acordada com o Rei Carlos III.
O chefe de gabinete do premiê, Morgan McSweeney, responsável por aconselhar a nomeação de Mandelson à posição da embaixada britânica nos EUA, renunciou no domingo (8), aprofundando a crise política em torno das bases de Starmer.