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'Nossa verdade não está sujeita a mudanças de conjuntura', diz Lavrov

Segundo o chanceler russo, os objetivos da operação militar especial permanecem inalterados, embora a Rússia esteja sempre pronta para um "equilíbrio de interesses".
'Nossa verdade não está sujeita a mudanças de conjuntura', diz LavrovSputnik

A posição da Rússia frente às causas profundas do conflito ucraniano não depende da situação política, afirmou o Ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, em entrevista ao programa "Empathia Manuchi", publicada nesta quarta-feira (11).

"A esperança surge apenas da sua própria verdade e das ações que você toma na vida real para garantir que essa verdade prevaleça. Nossa verdade não está sujeita a mudanças na conjuntura, curvas, complicações", disse Lavrov ao ser questionado sobre suas expectativas de negociações sobre o conflito ucraniano. 

Ele lembrou que o presidente russo, Vladimir Putin, "definiu claramente os objetivos da operação militar especial".

"Esses objetivos permanecem inalterados e não estão sujeitos a concessões de conjuntura", acrescentou o ministro.

Ele ressaltou que um compromisso é sempre possível quando Estados chegam a um acordo. "Estamos sempre prontos para um compromisso ou, em outras palavras, para um equilíbrio de interesses. O mais importante é que os interesses legítimos de cada Estado sejam levados em consideração", declarou o chanceler. 

O interesse legítimo da Rússia é garantir sua própria segurança, enfatiza Lavrov. "Como qualquer país normal, estamos interessados ​​em assegurar a continuidade de nossa história, garantir que nosso povo se desenvolva nas condições externas mais favoráveis ​​possíveis e assegurar o crescimento econômico, a resolução de problemas sociais e a melhoria do bem-estar", afirmou.

Promessas quebradas

Lavrov lembrou as ações da OTAN durante a década de 1990 e a primeira metade da década de 2000, apontando que sua pretensão de dominância não se limitou a uma intenção, mas se traduziu em ações práticas. "Ao expandir a Aliança Atlântica, os líderes ocidentais asseguraram à Rússia que isso não era dirigido contra nós. Mas vimos como, repetidas vezes, não apenas declarações escritas, mas também acordos, foram violados", observou ele.

O ministro destacou que, dentro da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), havia um acordo de que, quando novos países do Leste Europeu aderissem à Aliança, nenhuma força de combate significativa seria estacionada nesses territórios.

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"Naquela época, cheios de esperança e aspirações de que algum tipo de cooperação, entendimento e respeito mútuo finalmente prevaleceria, subscrevemos esse princípio — que nenhum membro da OTAN estacionaria forças de combate significativas no território de novos membros", disse. Lavrov relembrou que, em seguida, "eles realizam um exercício após o outro".

A aliança militar coordenou atividades na Finlândia em novembro de 2025, na Suécia em setembro e na Macedônia do Norte entre maio e junho do mesmo ano, por exemplo — todos eles Estados-membros afiliados após 2020. Similarmente, a frente leste da OTAN, correspondente à Europa Oriental e aos países bálticos, é reiteradamente militarizada, identificando-se a presença de forças estacionárias na Bulgária, Polônia, Hungria, Romênia, Eslováquia, Estônia, Letônia e Lituânia.

Segundo o chanceler, é uma ilusão achar que a segurança pode ser garantida confiando nas "promessas das pessoas que agora governam o mundo e daquelas que as precederam".

"Portanto, a segurança é uma questão inegociável para nós", completou.

Uma ênfase foi também atribuída à defesa dos direitos humanos, "inegociáveis" para a Rússia, apontando as duas medidas do Ocidente. "Vemos na Ucrânia uma proibição total da língua russa em todas as esferas da vida, uma proibição da Igreja Ortodoxa Ucraniana", listou o chanceler, enumerando questões que são prioritárias para a Rússia na resolução do conflito e permanecem "completamente fora das reflexões" da Europa.