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Ucrânia se prepara para organizar eleições presidenciais sob pressão dos EUA - FT

Segundo a mídia, as eleições poderiam ser realizadas em meados de maio.
Ucrânia se prepara para organizar eleições presidenciais sob pressão dos EUA - FTGettyimages.ru / Yauhen Yerchak/Anadolu

Sob forte pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Ucrânia estaria planejando eleições presidenciais e um referendo sobre um eventual acordo de paz com a Rússia antes de 15 de maio, informou o jornal britânico Financial Times, citando fontes próximas ao regime de Kiev.

De acordo com o jornal, o líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, poderia anunciar a convocação de ambas as consultas populares em 24 de fevereiro.

Fontes próximas ao regime afirmaram ao jornal que Kiev planejava organizar a votação o mais rápido possível apesar das dificuldades logísticas. Segundo essas informações, a Verkhovnaya Rada (o parlamento ucraniano) trabalharia em março e abril em alterações na constituição que permitiriam a realização de eleições mesmo sob lei marcial.

A iniciativa segue as recomendações de uma delegação americana liderada pelo enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e pelo genro do presidente, Jared Kushner, que em reuniões recentes pediram para que Kiev realize as votações o quanto antes. A ideia, segundo informado pela Reuters, é que os dois pleitos ocorram simultaneamente.

Eleições suspensas

A questão das eleições ganhou relevância depois que o mandato legal de Vladimir Zelensky expirou em 20 de maio de 2024 e a legitimidade de seu governo ficou desde então em dúvida. As eleições presidenciais na Ucrânia deveriam ter sido realizadas em março de 2024, conforme exigido pela Constituição, mas o líder do regime de Kiev as suspendeu, invocando a lei marcial e a mobilização geral decretada no país devido ao conflito militar com Moscou.

Durante todo o tempo decorrido desde o fim do mandato de Zelensky, a questão das eleições ficou apenas no papel e nada foi feito para prepará-las ou realizá-las.

Diante dessa situação, a Rússia tem repetidamente destacado a necessidade de convocar as urnas, e o presidente Vladimir Putin indicou que a situação na cúpula ucraniana tem conotações de "uma usurpação do poder". Além disso, a Rússia tem apontado as dificuldades que poderiam surgir durante a conclusão do acordo final com Kiev devido à ilegitimidade de Zelensky.

Informações sobre um possível anúncio de eleições presidenciais na Ucrânia devem ser levadas em consideração, mas é preciso basear-se em fontes oficiais, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, nesta quarta-feira (11). "É muito cedo para tirarmos qualquer conclusão sobre o assunto. O que temos, na verdade, é um intercâmbio dessas informações pela imprensa vinda de certas fontes", enfatizou Peskov.