'Militarização do Ártico está se aproximando': Lavrov comenta pretensões de Trump sobre Groenlândia

O ministro das Relações Exteriores da Rússia destacou violações de passagem na Rota Marítima do Norte, enfrentando os direitos evidentes do país na região.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou em entrevista publicada nesta quarta-feira (11) que a OTAN vem há anos tentando "transformar o Ártico em uma arena de confronto".

"A militarização se aproxima, e os direitos evidentes da Rússia sobre a Rota Marítima do Norte estão sendo postos em dúvida", denunciou o chanceler. Ele citou ainda diversas provocações na região, como o episódio em que navios franceses adentraram a passagem sem autorização prévia, desrespeitando as normas estabelecidas e "sem sequer notificar" Moscou.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, já havia afirmado que a questão da Groenlândia não diz respeito ao país, lembrou Lavrov, e admitiu que a solução poderia passar por algo como "semi-arrendamento, semi-compra" ou outra forma de interação. 

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O presidente dos EUA, Donald Trump, "disse com razão" que os dinamarqueses desembarcaram na Groenlândia, embora aparentemente já houvesse nativos americanos no local, avalia o chanceler. Os russos também estiveram lá, lembrou, assim como os noruegueses, que controlaram o território no século XIII. "Quem não esteve lá?", questionou. 

Para Lavrov, o caso também é interessante devido à postura das Nações Unidas. Durante o desenrolar da disputa, o porta-voz da Secretaria-Geral da ONU, Stéphane Dujarric, foi questionado sobre a posição da organização. A resposta foi que defendem uma solução baseada na Carta da ONU, guiada pelo princípio de autodeterminação dos povos, reportando-se ao direito da população da Groenlândia de decidir o seu próprio destino.

Apesar disso, sempre que a mesma questão foi levantada em referência à região do Donbass, à Crimeia e à Novorússia (na costa norte do Mar Negro), ao longo dos últimos quatro anos, a resposta jamais incorporou o princípio de autodeterminação. A posição reiterada foi a de que é necessário respeitar a integridade territorial da Ucrânia, continuou Lavrov. 

Segundo o chanceler russo, a razão por trás dessa postura "já não é segredo".

O enviado russo à ONU, Vassily Nebenzia, visitou recentemente o secretário-geral da ONU, António Guterres, e questionou-o sobre os motivos. Guterres respondeu que tudo estava correto e que a Carta se aplica à Groenlândia, mas não aos territórios que a Rússia "atacou agressivamente", e que seria "inútil falar com ele" sobre o duplo padrão, concluiu Lavrov.