
Lavrov denuncia Zelensky e patrocinadores europeus por 'violar iniciativa dos EUA' de pacificação

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, denunciou, em entrevista ao programa "Empathia Manuchi" nesta quarta-feira (11), que a proteção dos direitos da população de língua russa na Ucrânia não está sendo considerada pelo Ocidente como parte importante nas conversas de paz entre Moscou e Kiev.
O chanceler referiu-se à "proibição total da língua russa em todas as áreas da vida e à proibição da Igreja Ortodoxa Ucraniana canônica", questões que, segundo o diplomata, "permanecem fora do âmbito das reflexões da Europa sobre como avançar rumo à paz".

Lavrov indicou que o assunto chamou a atenção do governo dos EUA após o encontro no Alasca, em agosto de 2025, entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
"Só vimos um [documento sobre o assunto]. Ou melhor, os americanos nos repassaram oficialmente o documento deles. Todas as versões subsequentes são resultado de uma tentativa de [Vladimir] Zelensky, líder do regime ucraniano, e, sobretudo, de seus aliados no Reino Unido, Alemanha, França e nos Estados Bálticos de 'violar' a iniciativa americana", destacou.
Lavrov denunciou que as propostas dos EUA "afirmavam ser necessário restaurar os direitos dos falantes de russo e dos russos como minoria nacional", enquanto em versões posteriores, que vazaram para a imprensa em face das negociações entre americanos, europeus e ucranianos após a cúpula do Alasca, "nada é mencionado sobre isso".
Segundo o chanceler, no Alasca havia um equilíbrio entre os interesses vitais da Rússia e dos russos que viviam nos territórios libertados do controle ucraniano, e os dos Estados Unidos.
"Foi possível chegar a um acordo rapidamente"
O ministro explicou que, antes da cúpula em Anchorage, o enviado especial da Casa Branca, Steven Witkoff, visitou a Rússia para preparar a reunião e entregar a minuta contendo "as questões fundamentais", incluindo as iniciativas de Moscou "para proteger os russos do regime nazista, de sua política de extermínio de tudo relacionado à língua, cultura, história e ortodoxia russas".
Em Anchorage, segundo Lavrov, foram encontradas abordagens baseadas na iniciativa americana "que abriam caminho para a paz". "Com base nisso, era possível chegar rapidamente a um acordo sobre o tratado de paz definitivo", destacou o chanceler.
Desde então, indicou, o documento foi revisado várias vezes até que uma versão de 20 pontos veio à tona, vazada para a imprensa e não repassada a Moscou.
Problema dos territórios
Ao abordar questões territoriais, Lavrov destacou a mudança de postura do regime de Kiev sobre o assunto.
"Anteriormente, Zelensky tinha declarado que não cederia um centímetro de território, pois a Constituição não o permite. Ontem, ele declarou que só se pode falar de uma linha de contato, insinuando que não quer retirar seus terroristas das Forças Armadas daquela parte de Donbass onde eles ainda permanecem e de onde, em última instância, serão expulsos", explicou o chanceler.
"Ele havia dito antes que reconheceriam uma 'solução' territorial que permitisse o fim do conflito, mas não legalmente, apenas de fato. Ou seja, continuaria sendo a terra deles, pela qual continuariam lutando e resistindo."
Lavrov afirmou que, para esse fim, Kiev precisa de garantias de segurança, o que envolveria o destacamento de tropas britânicas e francesas em seu território e o apoio dos EUA com informações de inteligência, armamento e fornecimento de munição.
"O regime de Kiev afirma que, enquanto esperam, os europeus devem 'trazer' suas tropas para o seu território e implantar mísseis de longo alcance para atingir as cidades russas. E então, dizem eles, um cessar-fogo será declarado", denunciou.


